Inflação e setor bancário são desafios para crescimento da China, diz BC chinês

Em relatório de estabilidade financeira, Banco do Povo disse que o crescimento do crédito doméstico ainda está relativamente forte e o problema da ampla liquidez está novamente se tornando notável

Danielle Chaves, da Agência Estado,

17 de setembro de 2010 | 10h39

Apesar do aumento na confiança econômica, a China ainda enfrenta muitos desafios para manter uma taxa de crescimento rápida e estável, incluindo riscos de inflação e possíveis problemas no setor financeiro, afirmou o Banco do Povo da China (PBOC, o banco central do país), em seu relatório anual de estabilidade financeira.

O PBOC afirmou que alguns problemas no setor financeiro são "difíceis de ignorar". Em especial, existe a necessidade de melhorar o gerenciamento de riscos por veículos de financiamento do governo, que são entidades criadas por governos locais para tomar empréstimos do sistema bancário. A China deve começar o processo de securitização dos empréstimos dos veículos de financiamento de governos locais, disse o banco central.

A instituição comentou também que as condições monetárias frouxas na China podem criar riscos de inflação, bolhas no preço de ativos ou empréstimos ruins no sistema bancário. O crescimento do crédito doméstico ainda está relativamente forte e o problema da ampla liquidez está novamente se tornando notável, à medida que as condições econômicas externas melhoram, de acordo com o banco.

O amplo relatório também falou sobre os riscos para a recuperação econômica global. O escopo para mais estímulo por parte das grandes economias é limitado em razão de preocupações com a sustentabilidade financeira e com bolhas de ativos, disse o PBOC.

O banco central afirmou que grandes oscilações no valor do dólar podem afetar a recuperação econômica global. A rápida valorização do dólar pode pressionar os preços dos metais básicos, afetando economias dependentes de matérias-primas, enquanto uma rápida desvalorização do dólar pode levar a pressões inflacionárias globais, bolhas de ativos e instabilidade financeira, disse a instituição.

O PBOC observou que em todo o mundo a criação de liquidez está causando fortes fluxos positivos de capital de curto prazo em muitas "economias emergentes asiáticas". "Em muitas regiões isso está gerando aumentos de preço de ativos excessivamente rápidos, valorização excessiva na taxa de câmbio e acumulação de reservas estrangeiras", disse o banco.

O PBOC afirmou que a China vai manter sua atual posição de política monetária moderadamente frouxa e uma política fiscal ativa. O banco central disse ainda que vai aumentar a escala do uso do yuan em acordos comerciais internacionais e gradualmente aumentar os canais para que instituições estrangeiras obtenham e usem a moeda chinesa. O PBOC também vai agir para permitir que o yuan seja trocado diante de várias moedas menores no mercado de câmbio interbancário.

As informações são da Dow Jones. 

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.