Inflação global pode trazer mais instabilidade política, diz Roubini

Tema é um dos mais comentados no Fórum Econômico Mundial, que começou hoje em Davos

Daniela Milanese, da Agência Estado,

26 de janeiro de 2011 | 14h58

Vista como um dos principais riscos do momento, a inflação global tem a capacidade de gerar mais tensão social e, consequentemente, instabilidade política pelo mundo. O tema é um dos mais comentados no Fórum Econômico Mundial, que começou hoje em Davos, na Suíça. A disparada dos preços dos alimentos é apontada como um dos motivos da insatisfação popular que derrubou o governo da Tunísia e inspirou os protestos de ontem no Egito, que terminou com três mortos no chamado "dia da ira".

Além da África, a alta das commodities também pode gerar efeito relevante na Ásia. Zhu Min, conselheiro do Fundo Monetário Internacional (FMI), lembra que os alimentos respondem por 75% do índice de inflação ao consumidor na Índia. "O impacto é enorme", disse. "O aumento da inflação pode levar a mais instabilidade social e política, como aconteceu na Tunísia e no Egito", afirmou o economista Nouriel Roubini, que ficou famoso por ter sido o primeiro a prever a eclosão da crise global.


Os emergentes enfrentam o desafio de administrar a política monetária de forma a conter os índices de preços, mas sem provocar um pouso forçado da economia. No caso do Brasil, Roubini acredita que é preciso maior restrição fiscal a fim de domar a inflação. "O risco é a inflação e a resposta que as autoridades trarão para o problema", acredita Martin Sorrell, presidente do grupo britânico WPP.

A questão também deixa os países desenvolvidos numa encruzilhada, principalmente na Europa onde o crescimento econômico ainda não engatou e a crise de dívida soberana traz receios. O continente está embarcando numa onda de austeridade para conter o déficit público e, ao mesmo tempo, vê a inflação superar a meta de 2%.

As commodities estão subindo puxadas pela onda de forte crescimento dos emergentes. O movimento é exacerbado pela liquidez artificial atualmente em circulação no mundo, criada pela política monetária acomodatícia dos Estados Unidos. A questão da especulação com as commodities foi introduzida na agenda do G-20 pelo presidente da França, Nicolas Sarkozy, que preside o grupo neste ano. 

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