Inflação no centro da meta demanda esforço prolongado, diz Tombini

Segundo presidente do BC, a alta de preços no setor de serviços é um desafio particularmente importante no Brasil

Célia Froufe e Eduardo Rodrigues, da Agência Estado,

26 de abril de 2011 | 12h31

Colocar a inflação na meta em 2012 vai requerer um esforço redobrado do governo, na avaliação do presidente do Banco Central, Alexandre Tombini. Ele disse também, durante apresentação na CDES, que a tarefa será buscada ao longo do tempo.

Segundo o presidente do BC, a crise financeira internacional de 2008 mostrou a necessidade de uso instrumentos macroprudenciais para conter riscos financeiros. Ele admitiu, no entanto, que essas medidas acabam tendo efeito sobre a demanda agregada. "As medidas ajudam a fazer com que o crédito cresça a um ritmo mais moderado e ajudam a fazer a inflação seguir para meta", acrescentou.

Assim como o ministro da Fazenda, Guido Mantega, que falou momentos antes, Tombini ressaltou que até o dia 20 de abril os fluxos cambiais estavam no "zero a zero". Isso, segundo ele, é a indicação de que as medidas têm funcionado e que, além disso têm ajudado na contenção do fluxo cambial, o que dará "mais tração" para a política monetária.

Desafios

Tombini afirmou que a autoridade monetária possui dois grandes desafios: fazer a inflação convergir para a meta, apesar da alta dos preços das commodities agrícolas e do petróleo, e evitar um fluxo estrangeiro exagerado, que acaba se transformando também em impacto inflacionário.

Durante o evento, Tombini citou dados de inflação corrente em vários países do mundo. Dividiu entre países que possuem metas de inflação, os que não as possuem e os que lidam com metas não explícitas. Em seguida, concluiu: "A inflação é hoje, certamente, um problema global."

Segundo ele, a inflação brasileira reflete a inflação global elevada, mas também tem componentes locais. Ele não citou quais são esses componentes durante seu discurso, mas disse que se tratam de itens também comuns a outros países emergentes. Uma das maneiras de observar a trajetória de alta da inflação independente das pressões externas é acompanhando o índice de preços de serviços, que tem se mantido elevado.

Sobre as expectativas de inflação futura, o presidente do BC disse que, segundo as projeções do mercado, "a curva aterrissa" em 2012 na faixa de 5%. "As projeções do Banco Central para inflação são um pouco melhor que as do mercado", comparou, sem, no entanto, apresentá-las.

Tombini também se comprometeu a fazer com que a inflação convirja para o centro da meta de 4,5% em 2012. Ele ressaltou que o Brasil tem sido um dos países do mundo mais ativos no enfrentamento inflacionário.

(Texto atualizado às 14h24)

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