Inflação oficial acelera alta para 0,24% em agosto

Segundo o IBGE, a variação no ano foi de 3,43% e nos últimos 12 meses, de 6,09%, porcentual abaixo do teto da meta do governo, de 6,5%

Economia & Negócios e Antonio Pita, da Agência Estado,

06 de setembro de 2013 | 09h00

SÃO PAULO - A inflação oficial do País, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), se acelerou em agosto, mês que registrou alta de 0,24%. Em julho, o IPCA havia subido 0,03%, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A variação no ano foi de 3,43% e nos últimos 12 meses, de 6,09%, porcentual abaixo do teto da meta do governo, de 6,5%.

O resultado veio dentro do intervalo das estimativas dos analistas ouvidos pelo AE Projeções, que esperavam uma taxa de 0,20% a 0,32%, com mediana de 0,25%.

Os setores de Alimentos e Bebidas e Vestuário foram os principais responsáveis pela alta na inflação. O item de alimentos e bebidas, saiu de queda de 0,33% em julho para um índice de estabilidade em 0,01%. O Leite Longa Vida liderou o impacto do mês, com alta de 3,75% em agosto. Em julho, o item já havia apresentado alta de 5,06%. O item de refeição consumida fora do domicílio também teve alta, saindo de 0,21% em julho para 0,76% em agosto. No outro vetor, a cebola teve a maior retração, com 22,84% ante julho.

Já no segmento de Vestuários também houve inversão na tendência de deflação verificada em julho, com queda de 0,39%. Em agosto, o item teve alta de 0,08%. Segundo o IBGE, a alta representa a chegada de nova coleção às lojas.

Em transportes, o ritmo de queda diminuiu em agosto, com o fim das revogações de aumentos nas tarifas de ônibus urbano. Ainda assim, o item caiu 0,06%, ante -0,66% em julho. A queda é explicada por novas reduções de tarifas em Belo Horizonte, Curitiba e Porto Alegre. Em dois meses, segundo o IBGE, as reduções no item já chegam a 3,51%.

Já em Artigos para Residência, a alta foi puxada por eletrodomésticos (0,89% em agosto ante 0,28% em julho) e mobiliário (1,22% em agosto ante 0,22% em julho).

Dólar

A desvalorização do real ante o dólar já começa a ter reflexos na inflação de alguns produtos alimentícios no País, segundo a coordenadora de Índices de Preços do IBGE, Eulina Nunes dos Santos. Entre os itens que já sentem esse reflexo, está a Farinha de Trigo, que impacta diretamente preços de pães e cerveja, por exemplo.

"No índice desse mês a gente já vê alguma informação que nos leva a concluir que o dólar teve efeito, como a farinha de trigo 1,33% em julho para 2,68%", afirmou a coordenadora. Segundo Eulina, o impacto do dólar "está espalhado em toda a economia, em empréstimos da indústria, mas nos alimentos os efeitos já aparecem neste mês."

Outro produto influenciado foi o Leite Longa Vida, que foi o item com maior alta em toda a pesquisa de inflação para agosto. O item registrou alta de 3,75% em agosto, e contribuiu com 0,04 p.p no IPCA. A desvalorização cambial afeta produtos como adubo, farelo de milho e ração, que pesam na composição do preço do leite.

"O leite também é influenciado pelo período de entressafra, que sofre com a onda de frio, e pela alta da demanda também em vista de grandes períodos de frio que o pais vem enfrentando", completa a pesquisadora.

"O câmbio já vem se depreciando desde maio. É natural que o número do IBGE incorpore esses efeitos", afirmou o economista e sócio da Tendências Consultoria Integrada Juan Jensen. De acordo com o economista, o impacto significativo do dólar pode ser visto na alta de bens comercializáveis, de 0,43%, bem como na de bens duráveis (0,48%), este último porque utiliza insumos importados."Este ano tivemos uma alta em torno de 20% no câmbio, variação agora mais próxima de 15%, o que implica de 0,75 a 1,0 ponto porcentual na inflação", comentou Jensen.

Baixa renda

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) subiu 0,16% em agosto, após ter registrado queda de 0,13% em julho. Com o resultado, o índice acumulou uma alta de 3,33% no ano, e de 6,07% nos 12 meses encerrados em agosto.

O INPC mede a variação dos preços para as famílias com renda de um a cinco salários mínimos e chefiadas por assalariados.

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