Inflação pelo IPC-S acelera novamente; educação pesa

Segundo a FGV, esta foi a maior taxa de variação desde a primeira semana de fevereiro de 2010

Anne Warth e Alessandra Saraiva, da Agência Estado,

24 de janeiro de 2011 | 08h05

A inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor - Semanal (IPC-S) voltou a acelerar. O indicador subiu 1,18% até a quadrissemana encerrada em 22 de janeiro, após avançar 1,06% no resultado anterior, referente à quadrissemana finalizada em 15 de janeiro. Os dados foram divulgados nesta segunda-feira, 24, pela Fundação Getúlio Vargas (FGV).

Segundo a fundação, esta foi a maior taxa de variação do indicador desde a primeira semana de fevereiro de 2010, quando o índice avançou 1,33%. Das sete classes de despesa usadas para cálculo do IPC-S, cinco apresentaram acréscimos em suas taxas de variação de preços, do indicador de até 15 de janeiro para o índice de até 22 de janeiro.

Aumentos mais intensos nos preços de educação, leitura e recreação (de 2,43% para 2,98%) e de transportes (de 1,49% para 2,08%) foram determinantes para a taxa maior do IPC-S, que passou de 1,06% para 1,18% entre a segunda e a terceira quadrissemana de janeiro. Os dados foram anunciados há pouco pela Fundação Getúlio Vargas (FGV).

Segundo a fundação, em cada uma destas classes de despesa houve pressões de aumentos de preços importantes, que ajudaram a elevar a inflação no varejo. É o caso das acelerações nos preços de cursos formais (3,81% para 4,90%) e de tarifa de ônibus urbano (2,71% para 4,36%), respectivamente - que normalmente passam por reajustes, no começo do ano.

Mais três classes de despesa apresentaram aceleração de preços, no mesmo período. É o caso de saúde e cuidados pessoais (de 0,50% para 0,52%); habitação (de 0,22% para 0,24%); e de despesas diversas (de 0,92% para 1,12%);

Já as duas classes de despesa restantes apresentaram desaceleração de preços. É o caso de alimentação (de 1,69% para 1,64%) e de vestuário (de 0,38% para 0,36%).

Entre os produtos pesquisados pela fundação, as mais expressivas altas de preço foram apuradas em tarifa de ônibus urbano (4,36%); tomate (39,68%); e curso de ensino superior (3,32%). Já as mais expressivas quedas de preço foram registradas em limão (-25,28%); feijão-carioquinha (-15,84%); e passagem aérea (-7,92%).


Fevereiro

O economista da FGV, André Braz, afirmou que o Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S) tende a desacelerar no mês de fevereiro. Para janeiro, ele estima uma taxa muito próxima da registrada em janeiro do ano passado, quando atingiu 1,29%, a maior marca desde a terceira quadrissemana de fevereiro de 2003 (1,55%).

De acordo com Braz, o índice está em linha com as expectativas da FGV, uma vez que, em janeiro, são esperados aumentos nas mensalidades escolares, tarifas de transporte público e alimentos in natura. "Todos esses efeitos colocam a variação média do índice em janeiro em 1,18%, e é possível que não pare por aí", afirmou Braz.

Segundo ele, as elevações dos ônibus ainda não foram plenamente captadas pelo indicador e é possível que o índice continue a avançar. "É possível que a taxa se aproxime da registrada no ano passado, e pode ser até que a ultrapasse, dependendo das incertezas em relação aos alimentos in natura e da continuidade da desaceleração dos alimentos industrializados", disse.

Para fevereiro, o economista acredita que a situação deve se inverter. Segundo ele, o aumento das tarifas de ônibus nas capitais brasileiras costuma ficar restrito ao mês de janeiro. Braz afirmou ainda que o comportamento dos alimentos in natura historicamente melhora em fevereiro.

"Apesar das incertezas em relação ao clima, é muito raro que aconteçam aumentos nesse grupo, que se caracteriza por lavouras curtas. Fevereiro deve registrar taxas bem mais baixas para o IPC-S", afirmou. "Prevemos, com mais segurança, uma desaceleração do índice em fevereiro, mas eu não estranharia se viesse uma queda."

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