Infla??o divide opini?es ?s v?speras da reuni?o do CMN

Decis?o serve de refer?ncia para o Banco Central decidir sobre pol?tica de juros

Agencia Estado

18 de junho de 2007 | 14h16

O Conselho Monet?rio Nacional (CMN) tomar? neste m?s duas decis?es que interferir?o no ritmo de crescimento da economia nos pr?ximos dois anos. Ser?o definidas a meta de infla??o para 2009 e a Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP) para o pr?ximo trimestre. A primeira decis?o dar? o tom para o Banco Central (BC) conduzir a pol?tica de juros. A segunda poder? ser um est?mulo extra a novos investimentos produtivos, feitos com dinheiro do Banco Nacional de Desenvolvimento Econ?mico e Social (BNDES).O governo est? dividido ?s v?speras do "super CMN". O ministro da Fazenda, Guido Mantega, quer manter a meta de 2009 em 4,5%, o mesmo n?vel de 2007 e 2008. O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, acha que ela deve ser reduzida a 4%. O CMN ? formado pelos dois, mais o presidente do BC, Henrique Meirelles, que n?o explicitou seu voto, mas sabe-se que ? entusiasta da meta mais baixa."Acho que vai dar dois a um para a meta de 4%", disse o economista-chefe do banco Fator, Jos? Francisco Lima Gon?alves. "Para mim, a meta para 2009 j? est? reduzida; a discuss?o agora ? se ser? amarrado algo para 2010 tamb?m." Essa quest?o, por?m, est? indefinida e n?o ser? decidida no voto, segundo disse ao Estado o ministro Paulo Bernardo. "Vamos fazer um debate. Pode ser que o ministro Guido me conven?a, pode ser que eu o conven?a." O trio levar? o tema ao presidente Luiz In?cio Lula da Silva que, ao final, vai arbitrar o objetivo.Embora sejam discuss?es independentes, uma forma de tentar convencer Mantega a aceitar a id?ia de uma meta de infla??o menor poder? ser a decis?o sobre a TJLP, tamb?m na pauta do Conselho. O ministro ? entusiasta dos juros baixos, sempre defendeu quedas da TJLP e por isso estaria sens?vel ao argumento de que uma meta menor permitiria um corte maior na taxa - atualmente em 6,5% ao ano, porcentual que ficou inalterado na ?ltima reuni?o. A TJLP ? formada pela combina??o da meta de infla??o com proje??o sobre a taxa de risco do Pa?s. Ainda n?o h? uma dire??o clara do governo sobre esse tema.Apesar de h? alguns meses ter dado sinais de que poderia ceder ? posi??o do BC e do ministro Paulo Bernardo sobre a meta de infla??o, Mantega recentemente abandonou o sil?ncio e voltou a se posicionar mais firmemente em favor dos 4,5%. Na Fazenda, j? h? quem d? como certa a manuten??o do objetivo. De fato, o posicionamento p?blico de Mantega, que j? chegou a desautorizar o debate, pode indicar a convic??o sobre sua vit?ria. Embora n?o se deva negar que ele j? falou muita coisa que n?o se concretizou, tamb?m n?o ? prudente ignorar o fato dele ser um dos interlocutores mais freq?entes de Lula.Mais ousadiaPor tr?s de discuss?o aparentemente pequena - diferen?a de 0,5 ponto porcentual numa meta de infla??o para daqui a dois anos - h? toda uma discuss?o sobre a velocidade de crescimento da economia brasileira.Mantega defende a meta de 4,5% porque acha desnecess?rio se comprometer com uma meta mais baixa que, eventualmente, poderia for?ar o BC a interromper a trajet?ria de queda nos juros. Ele j? declarou que a atual meta permitiu que os juros continuassem em queda, com infla??o sob controle e economia em crescimento.Ele e outros que defendem uma meta de inflação mais folgada, como o senador Aloizio Mercadante (PT-SP), querem, na prática, reservar espaço para mais ousadia na redução dos juros e, assim, acelerar o crescimento da economia. ´Em um país como o Brasil é necessária maior margem de manobra e maior flexibilidade para a política monetária´, diz o professor da PUC-SP Antônio Corrêa de Lacerda. Segundo ele, a redução para 4% serviria apenas para dar mais justificativas a uma postura conservadora do BC.No momento, esse é um argumento atraente a Lula, que se mostrou insatisfeito com a taxa de crescimento de 4,3% registrada no primeiro trimestre do ano. Por outro lado, Lula é o maior defensor, dentro e fora do governo, dos benefícios da inflação baixa, principalmente para a baixa renda. Na semana passada, ele lembrou dos fracassados planos econômicos dos anos 80, que frustravam a população. "O único plano que eu tenho é o plano da seriedade. É um plano que não posso errar, porque se eu errar vai quebrar nas costas dos mais fracos neste País, vai quebrar nas contas dos trabalhadores."Para Paulo Bernardo, não há razões para manter a meta de 4,5% porque a inflação já está bem abaixo disso. As projeções do mercado financeiro, captadas na pesquisa Focus do Banco Central, apontam para inflação de 3,59% já neste ano. Ele acha que o governo pode optar por essa meta mais baixa, dando um importante sinal ao mercado. "Se houver uma crise, a gente muda a meta", disse.O estrategista do banco BNP Paribas, Alexandre Lintz, tem pensamento semelhante. Ele lembra que as expectativas de inflação para 2009 já estão em 4% e seria importante mantê-las nesse patamar. "A redução da meta teria impacto econômico nulo, somente ancoraria as expectativas, em um ambiente em que a inflação está muito tranqüila´, disse. ´A manutenção da meta provocaria uma reinflação desnecessária."

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