Estadão - 20/8/2021
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‘Influenciador é um produto igual sabão em pó e sabonete’, diz fundadora da Mynd

Personalidade tem de ser ‘vendável’ para as marcas, diz fundadora da agência de Gil do Vigor e Pabllo Vittar

Entrevista com

Fátima Pissarra, fundadora da agência de influenciadores digitais Mynd

Lílian Cunha, especial para o Estadão, O Estado de S. Paulo

23 de agosto de 2021 | 05h00

Gil do Vigor, Cleo Pires, Camilla de Lucas, Luísa Sonza, Luan Santana, Pabllo Vittar – todas essas celebridades da internet têm algo em comum: a mente comercial por trás de seus perfis nas redes sociais, que atende pelo nome de Fátima Pissarra. Ela é fundadora e diretora da agência Mynd, que traça a estratégia de comunicação de 250 dos maiores influenciadores brasileiros. 

“Cada influenciador é um produto. Desenhamos esse produto, empacotamos, tornamos cada um deles vendável para as marcas”, resume Fátima, paranaense de 44 anos, mãe de três filhos e que começou a carreira trabalhando na antiga operadora BCP, licenciando músicas para “ringtones”. Hoje, ela comanda uma agência que deve ter faturamento de R$ 250 milhões neste ano.

Qual foi a origem da Mynd? 

Foi na BCP, uma operadora de telefonia celular de São Paulo, depois comprada pela Claro. As pessoas, naquela época, queriam ter músicas como toque de celular. Só que, para isso, a operadora tinha de pagar direitos autorais. E eles não queriam gastar dinheiro. Aí eu tive a ideia de fazer as marcas pagarem esse direito autoral em troca de aparecer no celular. Depois fui para Nokia e fazia isso lá. Aí meu chefe saiu da Nokia e foi para a Vevo, plataforma de vídeo de música. Ele me chamou, mas disse que eu tinha de abrir uma empresa. Fazia projetos para marcas envolvendo músicos. O Luan Santana, por exemplo, estava lançando uma música que chamava Check-in e queria colocar umas fãs num avião. Eu disse: “Tudo bem, mas você vai comigo na reunião”. E ele topou. A Gol achou a ideia ótima. 

E a Preta Gil virou sua sócia?

Na Music2! (nome original da agência), eu vendia espaço para as marcas no bloco de carnaval da Preta Gil. Assim a conheci. E foi bem na época em que a Vevo foi absorvida pelo YouTube e eu fiquei sem saber o que fazer. Estava desesperada e ela me disse: “Continua fazendo o que você faz. E expande para celebridades da internet, não precisa ser só músico”. Então eu disse: “Só se você for minha sócia”. E ela topou. A Preta conhece todo mundo. É um ótimo cartão de visitas, abre portas. Foi ela quem indicou os primeiros influenciadores para a agência. A primeira foi a Gleici Damasceno, vencedora do BBB 2018. A Camilla de Lucas entrou para a agência dois anos antes do BBB 21. Tinha 60 mil seguidores. Quando chegou no BBB, eram 2 milhões.

Como não exaurir a imagem do influencer? O Gil do Vigor está em várias campanhas...

Não acredito que a gente possa exaurir a imagem da pessoa nem que “influencer” tem data de validade. O Gil está em todas, é uma estratégia pensada. Ele vai viajar, mas vai continuar bombando. É preciso entender as oportunidades para continuar “on” sem se desgastar. O Matheus Mazzafera muda toda hora. Já fez funk, TikTok, talk show. Ele vai mudando para continuar na onda. 

E que estratégia é essa? O que vocês levam em conta para cada influenciador?

Cada influenciador é um produto. É muito louco: é como se o Gil fosse um sabão em pó, o Mazzafera um sabonete... E, como produto, a gente precisa descobrir qual é o atributo, a característica para vender. Com quem esse produto fala? Qual é a mensagem? A partir disso, a gente empacota esse produto, que é como ele tem de ser visto nas redes. Por exemplo: o “influencer” tem cachorro? Então faz vídeo no pet shop, faz post com o cachorro. A partir daí, ele passa a ser vendável para marcas de cachorro, tipo Pedigree. E a gente vai analisando se está vendendo bem. Igual xampu. Você põe no mercado e vê se vende. Se não vende, tem de ver por que não está vendendo. 

A Mynd também já foi acusada de usar seus agenciados para bombar certos perfis de “influencers” novatos. Isso acontece? Não é. Até queria ter esse poder. A internet vive de autenticidade. Não funciona essa coisa de construir pessoas. 

Qual o tamanho da Mynd?

A gente faturava R$ 70 milhões em 2019. Com a pandemia, tudo que é digital decolou. As pessoas passaram a consumir, a seguir muito mais conteúdo na internet. No ano passado, a gente fechou com R$ 150 milhões e vamos terminar 2021 com R$ 250 milhões. Em 2019 a gente tinha 60 funcionários; agora temos 200. 

Como a agência descobre novos influenciadores?

Recebo sugestões a toda hora. No meu WhatsApp, estou em 250 grupos de artistas e influenciadores. E tem a Preta, né? Ela tem mais de 8 milhões de seguidores, conhece todo mundo. Ela descola muita coisa e recebe muita coisa também. 

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