Infraero diz estar preparada para greve programada para amanhã

Segundo o diretor de Administração da estatal, aeroportos têm 2,8 mil empregados da Infraero e outros 10 mil ligados à iniciativa privada, que podem ajudar durante a paralisação  

Mônica Ciarelli, da Agência Estado,

19 de outubro de 2011 | 18h29

A Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero) garante estar preparada para enfrentar a greve de 48 horas programada para os aeroportos de Guarulhos, Campinas e Brasília. Os trabalhadores querem protestar contra o modelo de privatização para o setor adotado pelo governo. A companhia informou ter um plano de contingenciamento para minimizar os impactos da paralisação para os passageiros. "Claro que vai haver transtornos, mas estamos acostumados a operar em situações emergenciais", disse o diretor de Administração da estatal, José Eirado.

Segundo ele, os voos e o fluxo de passageiros nos terminais estão assegurados pelo plano, que terá apoio também das companhias aéreas. Juntos, lembrou, os três aeroportos têm 2,8 mil empregados da Infraero e outros 10 mil trabalhadores ligados à iniciativa privada, que podem ser acionados para ajudar durante a paralisação. "Se for preciso vamos apertar o cinto. Gente que hoje faz trabalho gerencial ou administrativo vai para a linha de frente trabalhar", garantiu.

Os aeroportuários acreditam em grande adesão da categoria, inclusive em outros aeroportos. Os três terminais escolhidos para paralisação de 48 horas fazem parte do cronograma de privatização do governo. A expectativa é de que os leilões aconteçam até o início de 2012. O diretor do Sindicato Nacional dos Aeroportuários (Sina), Marcelo Tavares, lembra que, como a greve afeta a fiscalização dos pátios e o controle do tráfego aéreo, os pousos e decolagens também ficarão comprometidos. "Viajar vai ser difícil nesses dias. Como Guarulhos é o maior aeroporto da América Latina, nossa mobilização vai ter reflexos até no exterior", previu.

Segundo ele, a greve tem como objetivo alertar a sociedade dos riscos que a transferência privada de atividades como segurança aeroportuária podem trazer para o setor. Para a categoria, o governo deveria privatizar apenas a área comercial dos aeroportos, deixando o segmento de infraestrutura nas mãos da União.

Pelo modelo de privatização anunciado o governo vai exigir investimento mínimo de R$ 13,2 bilhões no aumento da capacidade dos três aeroportos. Um terço desses recursos deverão ser gastos para equipar o sistema para a Copa. O prazo da concessão varia de 20 a 30 anos. A cifra foi fixada com base nos estudos econômicos, que o ministro da Secretaria da Aviação Civil, Wagner Bittencourt, entregou na semana passada ao Tribunal de Contas da União (TCU).

Além do investimento, os consórcios vencedores terão de aplicar mais R$ 11,6 bilhões na manutenção da operação dos terminais. O grupo privado interessado no aeroporto de Cumbica, em Guarulhos, é o que terá de desembolsar mais, R$ 2,29 bilhões. O lance mínimo para o aeroporto de Viracopos, em Campinas, é R$ 521 milhões. O mais barato é o de Brasília, R$ 75 milhões. O TCU tem 30 dias para analisar o material, mas, o prazo pode ser postergado caso a documentação entregue pelo governo esteja incompleta.

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