Integração de operações será foco do setor de carnes em 2010, diz Moody's

Depois da forte onda de fusões e aquisições verificada no setor, a expectativa é de um ano mais tranquilo para o processo de consolidação

Tatiana Freitas, da Agência Estado,

22 de abril de 2010 | 14h09

A recuperação da demanda externa forma um cenário mais otimista para as indústrias de carnes em 2010, com perspectiva de aumento de receita e melhoria nas condições de liquidez, com as empresas captando recursos por meio de emissão de dívida ou ações. Depois da forte onda de fusões e aquisições verificada no setor, a expectativa é de um ano mais tranquilo para o processo de consolidação, com as maiores empresas focadas na integração de suas operações com as incorporadas, e consequente captura de sinergias. Isso pode resultar em melhora na classificação de risco, na avaliação é da agência de classificação de risco Moody's, que divulga hoje relatório sobre o setor.

 

"As companhias estão com foco em integrar as operações que compraram durante a crise, o que configura tendência de queda na alavancagem de algumas delas", afirma o analista Soummo Mukherjee, da Moody's. No ano passado, Perdigão e Sadia anunciaram uma fusão e criaram a BRF-Brasil Foods. A JBS Friboi uniu suas operações ao frigorífico Bertin e adquiriu a processadora de frango norte-americana Pilgrim's Pride. Já a Marfrig Alimentos comprou a Seara.

 

Entre as companhias avaliadas pela Moody's - BRF, JBS, Marfrig, Minerva e Independência - a companhia resultante da fusão entre Sadia e Perdigão tem o maior rating: Ba1, com perspectiva estável. Segundo Mukherjee, o fato de a empresa ter, em comparação com seus pares, o maior porcentual da receita proveniente de produtos com marca e valor agregado, que oferecem melhores e margens mais estáveis, faz a diferença.

 

"Embora a alavancagem seja uma maneira rápida de se fazer uma análise de crédito, a Moody's não tem foco nesse indicador na sua avaliação. A geração de caixa das operações é mais importante", disse. No caso da BRF, ressalta o analista, o fluxo de caixa operacional é, historicamente, sempre positivo. E a atuação junto ao consumidor final, com marcas fortes e produtos de alto valor agregado, seriam a principal responsável por esse desempenho.

 

O perfil da administração da companhia, que herdou a disciplina financeira da Perdigão, também seria outro ponto forte da empresa. "Atribuímos rating Ba1 para a BRF com a expectativa de que ela vai chegar a uma alavancagem de 3 vezes - hoje está em torno de 4,5 vezes. Ela tem essa meta e possui disciplina financeira. Acreditamos no management da companhia", afirmou.

 

Para JBS e Marfrig, que fizeram diversas aquisições em um curto período de tempo, o principal desafio, na avaliação de Mukherjee, será melhorar o ciclo operacional após as últimas compras. "Se elas não conseguirem melhorar o fluxo de caixa operacional após a incorporação das empresas adquiridas recentemente, pode haver uma pressão de baixa sobre os ratings", disse.

 

Mukherjee lembra que a Marfrig também decidiu apostar na construção de marca para melhorar a geração de caixa. Prova disso é o anúncio recente de patrocínio à Copa do Mundo de 2010 e 2014 e à Seleção Brasileira de Futebol com a marca Seara. "Mas construir uma marca leva tempo e requer muito investimento", observou.

 

A Moody's atribui o mesmo rating para Marfrig e JBS (B1), mas com perspectiva estável para a primeira e positiva para a segunda, que é a maior processadora de proteína animal do mundo. "Acreditamos que parte dos recursos a serem captados com a oferta de ações em andamento no Brasil e com o IPO da JBS USA, que acreditamos que ainda será realizado, pode ser usada para redução efetiva da dívida", afirmou Mukherjee.

 

A nota do Minerva é B3. Tamanho, escala e diversificação (tanto de proteínas como geográfica) são fatores relevantes considerados pela Moody's na sua avaliação - embora a companhia seja a menos diversificada entre as empresas de capital aberto pertencentes ao setor. Além disso, a Moody's lembra no relatório que os produtos de maior valor agregado ainda representam menos de 2% das vendas totais do Minerva, considerando dados de 2009. Ao mesmo tempo, no entanto, a opção pelo crescimento orgânico e consequente disciplina financeira são pontos positivos para o Minerva.

 

Já o rating do Independência, que está em recuperação judicial, é o menor do setor - Caa3, com perspectiva estável.

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