Integrantes do Fed criticam atuação da instituição na economia dos EUA

Presidente do Fed de Chicago acha que juro deve ser mantido em zero até desemprego cair abaixo de 7%, já o presidente do Fed de Dallas avalia que não são necessárias novas rodadas de estímulo

Agência Estado,

22 de março de 2012 | 21h14

WASHINGTON - O Federal Reserve deveria fazer mais para impulsionar a economia, disse hoje o presidente do Federal Reserve de Chicago, Charles Evans. "Maior acomodação seria, claramente, apropriada", disse Evans, citando a elevada taxa de desemprego e as reduzidas expectativas de inflação em discurso preparado para evento realizado hoje no Brookings Institution. 

No discurso, Evans se concentrou na orientação que o Fed dá para os juros futuros. "Usar apenas as datas do calendário para explicar as intenções da política monetária do Fed não é o instrumento mais adequado", afirmou. Ele defende que o Fed se comprometa em manter a taxa de juros próxima de zero até que a inflação atinja 3% ou a taxa de desemprego caia abaixo de 7%. 

Evans ressaltou seu pedido por um compromisso mais forte do banco central dos Estados Unidos em manter os juros baixos com um estudo divulgado hoje, mais cedo, no qual ele oferece provas matemáticas que sustentam suas propostas em favor da manutenção do juro zero nos EUA. O presidente do Fed Chicago não vota nas decisões do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) em 2012. 

A autoridade monetária também foi alvo de críticas por parte do presidente do Federal Reserve de Dallas, Richard Fisher. Ele manifestou  hoje contrariedade a novas rodadas de relaxamento monetário por considerar que a economia dos Estados Unidos está com excesso de dinheiro parado. "O dinheiro que já está lá fora não está sendo colocado para circular", declarou Fisher à emissora de televisão Fox Business.

"Por que você vai liberar mais dinheiro se esse dinheiro já foi liberado e não está sendo usado para lubrificar a economia, criar mais empregos, guiar a prosperidade americana e dar mais saúde a todo o nosso povo?", criticou Fisher, que também tem direito a voto no Comitê Federal de Mercado Aberto do Fed neste ano.

O presidente do Fed regional de Dallas observou que a economia "está muito melhor agora do que antes", apesar de o ritmo de crescimento continuar mais lento do que ele gostaria. Ele salientou então os indicadores que mostram melhoras na economia como um motivo a mais para não se implementar novas rodadas de estímulo. 

Já o presidente do Federal Reserve Bank de Nova York, William Dudley, atacou o modelo de monitoramento do sistema financeiro. Ele afirmou que a supervisão dos mercados de derivativos financeiros precisa ser flexível e capaz de reagir a mudanças e a condições inesperadas. "Nós deveríamos reconhecer que o sistema financeiro global é complexo e está em evolução constante, e que estamos introduzindo muitas mudanças significativas naquele sistema", disse Dudley durante evento da Escola de Direito de Harvard em Armonk (Nova York).

Para o dirigente do Fed, enquanto os órgãos reguladores implementam normas, procedimentos e programas que eles acreditam que tornarão os mercados financeiros mais resistentes a choques, "nós precisamos manter a mente aberta sobre a necessidade potencial de correções no meio do caminho. Precisamos reconhecer que podem haver conflitos entre alguns de nossos objetivos, e que o sistema poderá evoluir de maneiras que não esperamos".

Dudley não fez declarações sobre as condições da economia, nem sobre a política monetária. 

As informações são da Dow Jones. (Renato Martins)

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