Intenção de consumo das famílias cai 0,9% em fevereiro

Segundo a CNC, o aumento dos gastos no início do ano, além do elevado nível de endividamento e a maior dificuldade de crédito, manteve o indicador em um ritmo inferior ao do ano passado

Idiana Tomazelli, da Agência Estado, Texto atualizado às 11h55

19 de fevereiro de 2014 | 10h00

RIO - O índice que mede a Intenção de Consumo das Famílias (ICF) recuou 0,9% em fevereiro ante janeiro, para 129,8 pontos, informou a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). Na comparação com fevereiro de 2013, a queda foi de 4,2% - ritmo mais intenso do que a redução de 3% em janeiro sobre igual mês do ano passado.

"O aumento sazonal dos gastos no início do ano, além da manutenção de um elevado nível de endividamento e maior dificuldade de aquisição de crédito, manteve a intenção de consumo em um ritmo inferior ao do ano passado", explica a CNC, em nota. "O maior comprometimento da renda no início do ano com gastos relacionados a transporte, moradia e educação influenciou o resultado em fevereiro", acrescentou.

Apesar do resultado, o índice mantém-se acima da chamada zona de indiferença (100 pontos). Ao se posicionar acima deste patamar, o índice mostra um nível ainda favorável para o consumo.      

Na comparação mensal, dois componentes da pesquisa apresentaram melhora: perspectiva profissional (+1,8% em fevereiro ante janeiro) e momento para duráveis (+16,3%). Entre os demais quesitos, os destaques foram a queda de 10,2% no nível de consumo atual, a redução de 5,2% na perspectiva para o consumo, e o recuo de 3,3% no índice de renda atual.

Por faixas de renda, os cortes mostram que o resultado do índice na comparação mensal foi sustentado principalmente pela queda da confiança das famílias com renda até dez salários mínimos, com recuo de 1,1%. As famílias com renda acima dez salários mínimos apresentaram crescimento de 0,1% na intenção de consumo.

Na comparação anual, a CNC atenta para a sucessão de resultados negativos no ICF, sendo que o último resultado positivo foi registrado em dezembro de 2012. "Nível elevado de endividamento e crédito mais caro vêm se refletindo em uma maior moderação do consumo no período", disse em nota. "Analisando as condições atuais e as perspectivas futuras da economia doméstica, a previsão da Divisão Econômica da CNC é que o volume de vendas do varejo obtenha um crescimento ao redor de 5,0% em 2014", previu a nota.

Projeção. Menos de uma semana após projetar um crescimento de 5,9% para as vendas no varejo em 2014, a CNC revisou para baixo sua previsão. Hoje, a entidade informou que espera avanço "ao redor de 5%" neste ano.

A primeira projeção havia sido divulgada em 13 de fevereiro, logo após o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgar os dados consolidados de 2013. No ano passado, as vendas aumentaram 4,3%, o pior resultado desde 2003, quando houve queda de 3,7%.

Mais cedo, a CNC divulgou o índice de Intenção de Consumo das Famílias (ICF), que recuou 0,9% em fevereiro ante janeiro. Segundo o economista da CNC Bruno Fernandes, o resultado foi um fator a mais de influência para a revisão.

"Esperamos um cenário de crédito não tão favorável neste ano, além de uma moderação no consumo. O resultado do ICF influenciou (a revisão), mas também observamos esse cenário", disse. (

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