Intenção de consumo das famílias cai 2,9% em janeiro

Segundo pesquisa da CNC, indicador interrompeu uma sequência de oito meses de alta

Alessandra Saraiva, da Agência Estado,

18 de janeiro de 2011 | 10h30

O entusiasmo dos consumidores em compras esfriou em janeiro. É o que mostrou nesta terça-feira, 18, a Confederação Nacional do Comércio (CNC) que anunciou a Pesquisa de Intenção de Consumo das Famílias (ICF-Nacional) do primeiro mês do ano. De acordo com a entidade, o indicador de Intenção de Consumo das Famílias caiu 2,9% em janeiro contra dezembro, interrompendo uma sequência de oito meses de alta.

Para a CNC, o efeito sazonal de final de ano explica as oscilações entre um mês e outro. A entidade lembrou que, em dezembro, houve alta recorde de 3,1% no indicador. Ainda segundo a confederação, na comparação com janeiro de 2010, o indicador subiu 2,8% em janeiro deste ano.

Para a CNC, efeito sazonal de final de ano explica oscilações (Foto: Dida Sampaio/AE)

O índice é calculado a partir de entrevistas com 18.000 mil consumidores, dentro de uma escala até 200 pontos, sendo que resultados abaixo de 100 pontos são considerados pessimistas, e desempenhos acima de 100 pontos, otimistas. De acordo com a CNC, o indicador recuou de 143,4 pontos para 139,3 pontos de dezembro para janeiro.

Entre os sete subindicadores componentes do indicador, apenas dois não apresentaram recuo de dezembro para janeiro. É o caso do indicador de emprego (0,0%) e renda atuais (0,1%). Os outros cinco tiveram queda, no mesmo período. É o caso de perspectiva profissional (-3,5%); compra a prazo (-2,8%); nível de consumo atual (-3,9%); perspectiva de consumo (-5,0%); e momento para duráveis (-5,3%).

Intenção de compra em SP

O índice de consumidores que pretendem adquirir bens duráveis ou semiduráveis entre janeiro e março recuou 5,4 pontos porcentuais na comparação com o mesmo período de 2010, segundo pesquisa de intenção de compra no varejo divulgada nesta terça-feira pelo Programa de Administração do Varejo (Provar), da Fundação Instituto de Administração (FIA), e Felisoni Associados. Entre os 500 entrevistados, 71,8% informaram que devem ir às compras neste primeiro trimestre, ante 77,2% do mesmo intervalo do ano passado. Na comparação com o quarto trimestre do ano passado houve queda 4,4 pontos porcentuais.

Segundo comunicado do Provar, a redução das intenções de compra do primeiro trimestre em relação ao quarto trimestre do ano passado já era esperada, porém a queda na comparação com os três primeiros meses de 2010 "dá indícios de que os efeitos da política de contenção de demanda agregada já se fazem sentir." O levantamento ocorreu entre 3 e 13 de janeiro deste ano.

Perspectiva

O primeiro trimestre deste ano deve contar com um consumo ainda aquecido, impulsionado principalmente por famílias mais pobres; e uma tendência a um aumento no nível de inadimplência. A análise foi feita pelos economistas da CNC, Fábio Bentes e Bruno Fernandes.

Segundo Bentes, a queda de 2,9% no indicador de intenção de consumo das famílias em janeiro deste ano ante dezembro de 2010 foi a mais forte desde o início da pesquisa, em janeiro do ano passado. No entanto, ele comentou que este recuo é facilmente explicado por fatores sazonais. "Em dezembro, tivemos uma alta recorde na intenção de consumo (de 3,1%) por conta das compras relacionadas ao Natal. Em janeiro, o interesse por compras diminui naturalmente, por conta de uma alta expressiva já ocorrida em dezembro. Não há mais aquela euforia, devido ao pagamento do 13º salário", explicou.

Bentes lembrou ainda que o ano de 2010 contará com vendas recorde no varejo. Ele comentou que o ano passado contou com condições muito favoráveis à intenção de compras, como benefícios fiscais estimulando as vendas de bens duráveis; e uma oferta mais ampla de crédito. "As vendas do varejo devem encerrar 2010 com alta recorde de 11,2%, nos dados apurados pelo IBGE (ainda não divulgados). Mas mesmo com a perspectiva de oferta mais restritiva de crédito este ano, por conta das medidas anunciadas pelo governo, as vendas do varejo em 2011 devem subir 8,3%", afirmou o especialista, acrescentando que esta estimativa também é muito boa. "Para se ter uma idéia, o recorde atual nas vendas do varejo é o de 2007, com alta de 9,7%. Ou seja, é muito próximo", disse. Ele argumentou que o mercado de trabalho continua, no início do ano, a apresentar bons resultados, com impacto positivo no poder aquisitivo do brasileiro.

Os aumentos no patamar de salário mínimo contribuíram para a continuidade da trajetória de alta no consumo entre os mais pobres. O técnico informou que, em janeiro, somente entre os pesquisados com ganhos até dez salários mínimos, o indicador de intenção de consumo das famílias subiu 9,6% contra dezembro - sendo que, no mesmo período de comparação, entre famílias com renda acima de dez salários mínimos, o índice caiu 2,6%.

Por sua vez, o economista Bruno Fernandes comentou que a inadimplência do consumidor deve subir no primeiro trimestre de 2011. Ele explicou que, no início do ano, o brasileiro costumeiramente conta com um nível maior de despesas, como pagamento de mensalidades escolares, material escolar e impostos como IPTU. Ou seja: o consumidor pode desviar recursos para pagar estas despesas, e deixar de pagar dívidas já tomadas. Ele comentou, no entanto, que ao longo do ano, o interesse do brasileiro por empréstimos deve recuar, devido a juros mais elevados - cenário influenciado pelas recentes medidas do governo, de aumento nos depósitos compulsórios. 

(Texto atualizado às 12h46)

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