Tulio Kruse/Estadão
Tulio Kruse/Estadão

Interior de SP ganha 1ª grande fábrica de painéis de energia solar do País

Primeira indústria de grande porte no setor abre em Valinhos enquanto Aneel promove segundo leilão da energia solar no Brasil

Tulio Kruse, O Estado de S. Paulo

28 de agosto de 2015 | 21h07

Em meio a estiagem e à consequente queda nos níveis de reservatórios no Sudeste, foi inaugurada nesta sexta-feira, 28, em Valinhos, no interior de São Paulo, a primeira fábrica brasileira a produzir painéis de energia solar em grande escala. A inauguração coincide com o segundo leilão da Agência Nacional de Energia Elétrica  exclusivo para energia solar - com alguns dos clientes da fabricante dos painéis entre os concorrentes.

O foco de negócios da Globo Brasil é atender a demanda que virá com a construção de usinas solares. No ano passado, quase 1 giga watt de energia solar foi contratado para ser injetado na matriz energética brasileira a partir de 2017. Segundo a empresa, esse valor equivale ao consumo residencial de uma cidade com o porte de Salvador. O leilão realizado nesta sexta-feira tinha como meta projetos para contratar 382 empreendimentos, com capacidade instalada de 12 GW.

Em cerca de um ano, o empresário Manuel Figueiredo Coelho, presidente da Globo Brasil, construiu uma fábrica com capacidade para produzir 180 MW por ano, com máquinas importadas da Alemanha, Suíça e China. Para isso ele contou com uma redução da tarifa na importação dos equipamentos de 14% para 2% negociada com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MinDIC), e uma isenção tributária que foi costurada pela InvesteSP, agência de promoção de investimentos ligada ao governo estadual. 

"Se no passado a questão energética era vista como algo complementar, hoje ela é vista como uma questão fundamental como custo essencial da indústria  e também de sustentabilidade", diz o secretário de Desenvolvimento de Produção do MinDIC, Carlos Gadelha.

Em uma área que começa a receber investimento para acompanhar a crescente demanda por energia, a empresa terá inclusive concorrentes na mesma região. A chinesa BYD já anunciou que deve inaugurar sua fábrica em Campinas, que terá capacidade de até 400 MW ao ano. A BYD já está interessada no mercado brasileiro há cerca de quatro anos e mantém contato com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimento (Apex-Brasil). Além de uma montadora de ônibus elétricos, neste ano a chinesa anunciou investimento de R$ 150 milhões na fabricação de painéis fotovoltaicos, o que a tornará concorrente da Globo Brasil.

Setor estratégico. "Neste momento, precisamos rapidamente aumentar a geração de energia no Brasil", alerta o Secretário de Energia do governo estadual, João Carlos Meirelles. "Nada melhor que gerar energia perto do centro de consumo."

Empresários do setor concordam que este é um momento estratégico para a energia solar no Brasil. A Solare, empresa do grupo de investidores goiano FCR que faz projetos de usinas solares, ganhou um projeto de 10 MW no leilão de novembro do ano passado. A empresa tem outros 100 MW em projetos para outras usinas e estima que deve instalar todos estes empreendimentos em quatro anos. No entanto, reconhece que a concorrência no setor está se acirrando. "Este foi o leilão dos grandes players", diz Marcelo Pes, representante comercial da Solare. Com a inauguração da fábrica brasileira em Valinhos, a Solare negocia a compra das placas da Globo Brasil. "Agora temos um parceiro vizinho que te dá qualidade do produto. E se você tiver qualquer problema, temos para quem correr."

Outros especialistas do setor ressaltam o retorno do investimento que a energia solar oferece. Segundo Luiz Marcelo Santos, presidente da Davanti Energia Solar, que faz projetos com instalações de energia renovável, a estimativa para residências e comércios intermediários é de retorno de até seis anos, enquanto para a indústria esse prazo pode ser de até dez anos. "Em uma estimativa conservadora, um comerciante paga o investimento (com a compra das placas) em cinco ou seis anos, e a partir daí ele tem praticamente 20 anos de energia completamente de graça", diz Santos.

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