Rachel Guedes
Rachel Guedes

‘Investidor estrangeiro busca empresas de saúde de grande porte’

Segundo a advogada Elysangela de Oliveira Rabelo Maurer, ainda faltam ativos grandes o suficiente para encher os olhos de quem tem dinheiro para investir

Entrevista com

Elysangela Rabelo Maurer, fundadora do escritório Rabelo Maurer

Fernando Scheller, O Estado de S.Paulo

26 de julho de 2021 | 05h01

Ex-sócia do escritório TozziniFreire, a advogada Elysangela de Oliveira Rabelo Maurer especializou-se em negócios voltados para as áreas de ciências da vida e saúde. Recentemente, montou escritório próprio, dedicado a casos desses setores, desde questões regulatórias – ligadas, por exemplo, à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) – até grandes fusões e aquisições. 

Para a advogada, os fundos internacionais e investidores estratégicos permanecem muito interessados no mercado de saúde brasileiro. Porém, Elysangela acredita que ainda faltam ativos grandes o suficiente para encher os olhos de quem tem muito dinheiro para investir. “Há muitos hospitais com uma quantidade de leitos pequena. Apesar do movimento de consolidação que vem ocorrendo desde 2015, falta muito para se chegar ao tíquete de interesse dos grandes investidores internacionais”, afirma.

Por que a ideia de criar um escritório especializado em saúde?

Tenho trabalhado desde 2006 com fusões e aquisições e assuntos regulatórios nessa área e acho que o setor de saúde precisa de um escritório com capacidade de atendimento nessas especialidades de forma combinada. Somos especializados em saúde e em life sciences (ciências da vida). Entre os focos do escritório estarão contencioso, assuntos regulatórios e fusões e aquisições.

O setor de saúde dominou o mercado de fusões e aquisições durante vários anos. Ainda há muito movimento de consolidação pela frente?

O setor farmacêutico sempre foi muito atrativo, tanto para empresas brasileiras quanto para estrangeiras. Vimos alguns desinvestimentos de portfólio de certos medicamentos por indústrias estrangeiras – e aí, via de regra, a indústria nacional entra como compradora. Vimos alguns desses desinvestimentos recentemente, como a venda de uma unidade produtiva da Bayer para a União Química.

Mas o movimento ainda está aquém do potencial que o setor de saúde tem?

A abertura do setor, em 2015, trouxe expectativa enorme de investimento estrangeiro, que não aconteceu – especialmente no setor de hospitais. Ainda existe uma quantidade grande de hospitais com poucos leitos, bem abaixo do múltiplo exigido pelos investidores financeiros, como fundos de private equity. Quando a gente desce para o mercado de médio porte, existem mais oportunidades de hospitais pequenos que fazem ou podem fazer parte do movimento de consolidação. A partir daí podem se formar conglomerados que venham a ser de interesse do grande investidor.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.