Investidor pede à CVM que investigue o Panamericano

O empresário e investidor Adalberto Salgado Júnior solicitou à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) que investigue e tome eventuais medidas contra a instituição financeira, hoje controlada pelo BTG Pactual 

Mariana Durão, da Agência Estado,

29 de março de 2012 | 20h32

Pouco mais de um mês após entrar com pedido de inquérito na Polícia Federal (PF) contra a atual diretoria do Banco Panamericano, o empresário e investidor Adalberto Salgado Júnior solicitou à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) que investigue e tome eventuais medidas contra a instituição financeira, hoje controlada pelo BTG Pactual. Em 2011, já sob controle do BTG, o banco bloqueou na Justiça o pagamento de R$ 22 milhões em Certificados de Depósitos Bancários (CDBs) com taxas prefixadas em favor de Salgado.

Na ação cautelar, que envolve outros 27 investidores, o Panamericano alega que houve uma "diabólica fraude" na pactuação das taxas. Na tentativa de não pagar os CDBs, o banco alegou que "pela sofisticação contábil empregada (...), os novos controladores do Panamericano levaram bastante tempo para identificar e dimensionar o estouro" e por isso teria demorado a ajuizar a ação.

No requerimento à PF, Salgado alega fraude processual. Ele afirma que o BTG Pactual foi o coordenador líder da oferta pública inicial do Panamericano, em 2007, analisando minuciosamente suas operações financeiras.

Com base no mesmo argumento, o investidor recorre à CVM. De acordo com o empresário, o BTG Pactual foi contraditório ao atestar a veracidade das informações prestadas pelo Panamericano na época da abertura de capital e, agora, vai contra o que afirmou em suas auditorias, "por motivos e interesse pessoal e econômico".

Segundo a petição enviada à autarquia o atual sócio controlador do Panamericano "tinha por obrigação não só saber da existência como atestar a licitude das operações envolvendo o peticionário (que se encontravam devidamente contabilizadas no Banco e, portanto, refletidas no prospecto)".

Os advogados de Salgado defendem que, além de tentar induzir a Justiça a erro, a atual diretoria do banco teve "a intenção de gerir fraudulentamente a instituição financeira, empresa de capital aberto, criando artifícios para o não cumprimento de contratos".

A defesa cita que o BTG Pactual está em vias de realizar seu IPO e que, por isso, seria extremamente relevante a apuração da questão pela CVM, como reguladora do mercado de capitais, e seu conhecimento pelo mercado e investidores. E afirma que o episódio é grave e capaz de desestabilizar o mercado financeiro e a credibilidade de outros bancos.

Salgado é citado no inquérito que apurou o rombo de R$ 4,3 bilhões no Panamericano, mas não foi indiciado pela PF. Um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras aponta que ele lucrou 697% com os CDBs em 315 dias.

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