Investidores identificam oportunidades de longo prazo

Apesar de problemas como excesso de oferta e inadimplência, investidores enxergam potencial

Mário Braga e Aline Bronzati, O Estado de S. Paulo

17 de abril de 2015 | 05h00

O cenário atual do mercado imobiliário apresenta oportunidades de longo prazo para o investidor institucional, afirmou Ivan Schara, gerente executivo da Previ, fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil. “Temos uma vacância enorme, excesso de oferta e inadimplência em algumas empresas”, ressaltou ele na terça-feira, durante o Summit Imobiliário Brasil 2015. 

Apesar disso, ele ressaltou que é necessária uma análise criteriosa, identificando os eixos de crescimento no mercado imobiliário. “Localização é tudo”, acrescentou. 

Felipe Goes, diretor-presidente da São Carlos Investimentos, concordou que, no longo prazo, o setor apresenta um “altíssimo potencial de crescimento”. Apesar disso, destacou que a demanda fraca por escritórios e o ciclo de alta na taxa de juros formam um contexto extremamente desafiador. “O momento atual é quase a tempestade perfeita para o setor”, afirmou. 

Ele apresentou dados que evidenciam o aumento da vacância de imóveis em São Paulo. Com o crescimento significativo de novos estoques entre 2011 e 2013, em um ritmo bem mais expressivo que a absorção líquida, a taxa de crescimento da vacância passou de 3,9% em 2010, para 12% em 2014. 

Na mesma linha, Alexandre Machado, gestor de fundos imobiliários do Credit Suisse Hedging-Griffo, estimou que a taxa de vacância de escritórios em São Paulo deve continuar crescendo e atingir 22%. “Uma vacância nesse nível vai acabar puxando os preços para baixo”, projetou. 

Desconto. Segundo Machado, existe uma correlação muito forte entre a taxa de juros real e o desempenho dos fundos imobiliários na Bolsa de Valores. O recente aumento na taxa básica de juros fez o valor de mercado desses fundos cair fortemente, ficando abaixo do patrimônio líquido a partir de junho de 2013. 

“Hoje, os fundos são negociados com desconto de 30% em relação ao valor patrimonial”, afirmou. “A defasagem muito grande entre o valor do ativo e das cotas pode estar atraindo grandes investidores.”

Mais conteúdo sobre:
Summit Imobiliário Brasil 2015

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.