Fernando Soutello/Reuters
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Investidores temem reestruturação de dívida e derrubam bônus da CSN

Nas últimas duas semanas, retorno dos bônus da dívida da empresa com vencimento em 2020 chegou a 20%, patamar operado por papéis que sugerem risco de pagamento; companhia aposta na venda de parte de seu portfólio para reduzir alavancagem

Fernanda Guimarães, Cynthia Decloedt , O Estado de S. Paulo

25 de agosto de 2015 | 14h45

Os investidores começaram a dar sinais, nas últimas duas semanas, de que temem um calote ou uma reestruturação da dívida da Companhia Siderúrgica Nacional, a CSN, do empresário Benjamin Steinbruch. A percepção é de que a companhia, apesar de ter anunciado que venderá ativos para reduzir sua alavancagem, pode demorar para concluir esse processo, o que tornaria sua situação financeira delicada.

Segundo fontes que operam no mercado secundário no exterior, o retorno dos bônus da dívida da companhia com vencimento em 2020 está em 20%, patamar operado por papéis que sugerem risco de pagamento. A cotação dos papéis da siderúrgica estava entre 55% e 60% do valor de face, ante 85% verificados há duas semanas – uma queda de mais de 30%.

A empresa tem tentado transmitir a mensagem de que está trabalhando para reduzir sua alavancagem. “Temos um caixa invejável, estamos trabalhando no alongamento da dívida e realizando um trabalho bastante forte de redução de despesas, o que nos dá condição de fortalecer a CSN para um cenário atual mais competitivo”, disse o diretor executivo responsável pelas áreas corporativas da companhia, Paulo Caffarelli. 

Segundo ele, esse movimento permite que a venda dos ativos ocorra “em um patamar temporal de acordo com a estratégia da empresa”. “A venda de ativos tem como objetivo trazer o endividamento da empresa para a realidade de seu resultado atual.” 

A dívida líquida ajustada da CSN chegou a R$ 20,769 bilhões ao fim de junho. O resultado vem sendo pressionado pelo enfraquecimento da demanda de aço no mercado local e pela derrocada dos preços do minério de ferro. “Os investidores aguardam alguma informação sobre a venda de ativos, porque o tempo está passando e, com o nível em que se encontra o preço das commodities, a empresa precisa levantar caixa rápido”, disse uma fonte que atua no mercado de dívida. 

À venda. No mercado, a aposta é de que o primeiro ativo a ser vendido é o Terminal de Contêineres (Tecon), em Sepetiba. Ele pode garantir mais de R$ 1 bilhão à companhia, assessorada pelos bancos Bradesco BBI, Banco do Brasil, Credit Suisse e Goldman Sachs. Entre os outros ativos que podem ser vendidos estão duas usinas hidrelétricas: na Itá (divisa de Santa Catarina com Rio Grande do Sul), a CSN detém 29,5%; na de Igarapava, entre São Paulo e Minas, a empresa tem 17,9%.

Ainda compõem o portfólio de desinvestimento a ferrovia MRS, imóveis e as unidades de embalagens da empresa, a Prada e a Metalic, além da fatia na Usiminas. Essa é uma operação difícil, uma vez que as ações da siderúrgica mineira estão depreciadas e a venda em bolsa representaria prejuízo alto àa CSN. O Broadcast, serviço em tempo real da Agência Estado, apurou que há pouco interesse dos sócios da Usiminas (Ternium e Nippon Steel) no negócio, já que as ações detidas pela CSN estão fora do bloco de controle.

Com a fraca demanda do mercado siderúrgico e preços baixos do minério de ferro, a CSN tem visto seu endividamento crescer. Essa situação, somada à fraca geração de caixa, tem elevado a alavancagem da companhia, medida pela relação entre a dívida líquida e o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização), que atingiu 5,6 vezes ao fim do segundo trimestre. O indicador era de 2,7 vezes no mesmo período do ano passado e estava em 4,76 vezes nos três primeiros meses deste ano. As despesas financeiras, destacam analistas, estão consumindo todo o caixa.

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