Clayton de Souza|Estadão
Clayton de Souza|Estadão

Investigação do BTG não vê indícios de corrupção

Caso foi analisado por firmas independentes que tiveram acesso a dados de funcionários e executivos do banco

Josette Goulart, O Estado de S.Paulo

08 de abril de 2016 | 08h52

Uma investigação interna promovida no banco BTG depois da prisão do ex-controlador André Esteves no âmbito da Operação Lava Jato chegou à conclusão de que não há indícios de corrupção ou atos ilegais cometidos por empregados ou ex-executivos da instituição. 

A investigação, feita pelos escritórios de advocacia americano Quinn Emanuel Urquhart & Sullivan e pelo brasileiro Veirano Advogados, analisou 430 mil documentos. Foram escolhidos 30 executivos e empregados do banco para serem entrevistados, de um universo de mais de 1,6 mil funcionários que tinha a instituição na época da prisão. André Esteves não foi ouvido diretamente. 

As investigações levaram quatro meses para serem concluídas, e a troca de e-mails de funcionários foi uma das principais bases de análise. Não foram levadas em conta trocas de mensagens por telefones celulares ou gravações de voz de ligações telefônicas. 

Os investigadores tiveram acesso a todo o banco de dados de informações do BTG e também aos negócios com companhias ligadas à instituição, segundo informou ontem o advogado que comandou as equipes, o americano William A. Burck. Ele informou que não foram averiguados empréstimos concedidos pelo banco para empreiteiras envolvidas na Lava Jato ou o financiamento de obras que estão sob investigação e suspeita de pagamentos de propinas. 

O trabalho se ateve a sete temas, escolhidos com base em reportagens da imprensa e também em relatos de delações e investigações do Ministério Público e Polícia Federal. Entre os assuntos analisados pelas equipes está a questão da suposta promessa feita ao ex-diretor da Petrobrás, Nestor Cerveró, para que ele não fornecesse informações que comprometessem o banco em sua delação premiada. Uma gravação feita pelo filho de Cerveró, em que o senador Delcídio do Amaral relata a disposição do ex-controlador do banco a fazer tais pagamentos, levou à prisão de Esteves. 

Os advogados investigaram se houve alguma vantagem ou apoio político ao presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, em troca de emendas a medidas provisórias que favoreciam o banco. Esquemas envolvendo o senador Fernando Collor na BR Distribuidora e as operações envolvendo José Carlos Bumlai, amigo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva preso em uma das operações da Lava Jato, também entraram no escopo das investigações. 

O relatório não foi divulgado em sua íntegra, mas, segundo Burck, também foi feita a analise de supostas vantagens na compra da PetroAfrica. Pagamentos irregulares ao ex-presidente Lula, assim como possível envolvimento no esquema de corrupção da Sete Brasil, completaram os temas analisados. Em nenhum desses casos, com base nos documentos, foram encontradas irregularidades, segundo Burck.

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