Investimento da Vale em 2012 será inferior ao previsto para este ano

Segundo uma fonte do setor, cifra deve ficar próxima do investimento realizado pela companhia neste ano, que deve fechar em US$ 19 bilhões

Mônica Ciarelli e Fernanda Guimarães, de O Estado de S. Paulo,

25 de novembro de 2011 | 23h00

Sem conseguir cumprir o orçamento de US$ 24 bilhões previsto para este ano, a Vale se prepara para anunciar na próxima segunda-feira um investimento para 2012 mais em linha com o atual cenário de incertezas na economia mundial e de dificuldades na obtenção de licenças ambientais no País.

De acordo com uma fonte do setor, a expectativa é que a cifra para 2012 fique próxima do investimento realizado pela companhia este ano, que deve fechar, no máximo, em US$ 19 bilhões. Até setembro, a companhia havia desembolsado US$ 11,308 bilhões, menos da metade da meta inicial.

O orçamento mais modesto será apresentado aos investidores nos Estados Unidos, durante o evento Vale Day, na Bolsa de Valores de Nova York. Em outubro, quando comentou o desempenho da companhia no terceiro trimestre, o presidente da Vale, Murilo Ferreira, anunciou mudanças no modelo de divulgação do orçamento da companhia. Na época, o executivo também descartou a possibilidade de a Vale desembolsar integralmente os US$ 24 bilhões previstos para este ano.

Pelo novo modelo, a empresa informará ao mercado apenas os projetos já aprovados, com os devidos licenciamentos ambientais obtidos. Essa medida, segundo a empresa, evitará o não cumprimento do orçamento divulgado, exatamente como aconteceu em 2011.

Para agilizar a obtenção de licenças ambientais, processo que vem atrasando os projetos do grupo, a Vale criou um comitê executivo para tratar do assunto. O grupo vai se reunir semanalmente e já elaborou um guia de procedimentos para obtenção dessas licenças.

Análise de risco. A mineradora pretende também fazer uma análise de risco em 20 projetos já anunciados considerados mais críticos para a companhia. O objetivo de passar uma lupa por esses projetos é diminuir as incertezas em torno de prazos ou custos que influenciem no cronograma e orçamento.

A análise deve incluir até mesmo uma comparação com os custos de produção de outras concorrentes. Entre os projetos que serão analisados estão projetos como o de Serra Sul, em Carajás, no Pará, Apolo, em Minas Gerais, e também na Indonésia.

O analista da corretora SLW, Pedro Galdi, destaca que os segmentos de minério de ferro, carvão e cobre deverão ser o foco da Vale, além do setor de fertilizantes, que ganhou destaque nos negócios da mineradora e passou a ter um enfoque estratégico para a empresa. "Pelo histórico da Vale, independente de crise, eles anunciam investimentos agressivos. Os números não devem ser tão diferentes", disse Galdi.

Já a expectativa de investimentos para o setor de siderurgia, por outro lado, deverá "continuar de lado", afirmou o analista. "Sem um sócio estratégico não tem nenhum sentido um investimento forte", disse.

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