Investimento estrangeiro mantém tendência, diz BBM

Segundo o economista Gabriel Hartung, o que está entrando atualmente no País ainda faz parte de decisões de investimentos tomadas antes da crise econômica

Flavio Leonel, da Agência Estado,

25 de outubro de 2011 | 16h25

A despeito da piora do cenário internacional, o ingresso robusto de Investimento Estrangeiro Direto (IED) no Brasil continua em linha com a tendência que vem sendo observada em boa parte de 2011. A avaliação é do economista Gabriel Hartung, do Banco BBM. Em entrevista à Agência Estado, ele disse que, diferente de outras variáveis da economia, o IED costuma ter uma influência negativa menor ou, no mínimo, demora um pouco mais para refletir os impactos de crises como as observadas recentemente em países europeus.

"O IED é normalmente o que sofre menos nos momentos de grande turbulência externa porque o que está entrando hoje no País ainda são decisões de investimento na economia real e essas decisões foram tomadas antes da turbulência", afirmou Hartung à AE. "Ninguém, por exemplo, vai interromper o processo de ampliação de uma fábrica, a não ser que piorem ainda mais as condições internacionais", opinou.

Nesta terça-feira, por meio da Nota do Setor Externo, o Banco Central divulgou que o IED totalizou um valor de US$ 6,326 bilhões em setembro. O resultado superou os US$ 5,606 bilhões de agosto e ficou acima do teto das expectativas de analistas ouvidos pelo AE Projeções, que variavam de US$ 4,500 bilhões a US$ 6,000 bilhões, com mediana de US$ 5,000 bilhões.

O Banco BBM representava exatamente o teto do levantamento feito pelo serviço especializado da Agência Estado. "Por um lado, o IED demora mais a sentir os efeitos da crise. Por outro, também sente menos os impactos", comentou Hartung.

Quanto a outro dado presente na divulgação de hoje do BC, o economista do Banco BBM disse que o déficit nas transações correntes do balanço de pagamentos veio em linha com o esperado pelo mercado financeiro. Segundo ele, o resultado negativo anunciado, de US$ 2,200 bilhões, teve ligação com o comportamento do câmbio. "Tivemos um resultado da balança comercial forte e alguma melhora da parte de Serviços", disse, referindo-se a conta específica que engloba as receitas e despesas dos brasileiros com transportes e viagens internacionais, entre outros dados.

Para os dados de outubro, a expectativa inicial do BBM é de um resultado um pouco mais negativo para as transações correntes e um valor ainda forte, mas um pouco menos expressivo para o IED. Sem divulgar números, Hartung explicou que o déficit em transações correntes tende a aumentar por conta da sazonalidade desfavorável para a balança comercial e que é natural uma diminuição no ingresso de recursos depois de um valor alto como o observado em setembro.

Questionado sobre as expectativas do BBM para as expectativas para o acumulado do ano no encerramento de dezembro, o economista respondeu que fez "ajustes marginais" nas previsões, após os resultados de setembro. Para as transações correntes, a instituição trabalhava com uma projeção de resultado negativo acumulado de 2011 de US$ 50,800 bilhões e, agora, passou a contar com um déficit de US$ 50,400 bilhões. Para o IED, esperava um valor total de US$ 63,100 bilhões e passou a trabalhar com uma estimativa de ingresso de US$ 63,400 bilhões.

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