Investment Grade e etanol impulsionam os preços das terras

Valor no País chegou a R$ 4.135 por hectare em março-abril de 2008, aumento de 35,2% ante valores de 2006

Venilson Ferreira, da Agência Estado,

19 de maio de 2008 | 11h44

A elevação do Brasil a Investment Grade (Grau de Investimento), a valorização dos grãos nos mercados externo e interno e a disputa por área entre biocombustíveis e alimentos estão dando grande sustentação aos preços da terra no Brasil. A afirmação é da analista Jacqueline Bierhals, responsável pelo relatório de análise do mercado de terras da consultoria AgraFNP, que destaca a grande participação de grupos estrangeiros e fundos de investimentos no agronegócio brasileiro.   Veja também:   Entenda a crise dos alimentos  Na elite do mercado mundial    Segundo ela, o levantamento bimestral da AgraFNP revela que o preço médio das terras destinadas à agropecuária no País foi de R$ 4.135 por hectare no período de março-abril de 2008, com aumento nominal médio de 16,3% em relação ao mesmo período do ano passado e de 35,2% em comparação aos valores de 2006.   A analista diz que outro assunto acompanhado de perto por este mercado é mudança no Ministério do Meio Ambiente, com a saída de Marina Silva. "A Floresta Amazônica deve ocupar a pauta das discussões ambientais por muito tempo ainda. A questão é que o Brasil tem uma grande quantidade de área de pastagens degradadas que podem ser convertidas em lavouras, sem que se mexa na Amazônia. Por outro lado, o governo federal, através do PAC, pretende estimular o desenvolvimento na Amazônia. Resta saber como o novo ministro irá se posicionar frente ao tema."   O relatório divulgado nesta segunda pela AgraFNP mostra que as terras para cultivo de grãos continuam puxando os negócios. "A procura de terras para a produção de biocombustíveis também continua aquecida, sobretudo nas fronteiras agrícolas. Por outro lado, em São Paulo, maior estado produtor de cana-de-açúcar no Brasil, o mercado encontra-se bastante travado e com leve diminuição na demanda por terras", diz a analista.   A AgraFNP destaca neste bimestre o movimento de terras que a agroindústria de frango e de leite tem trazido a algumas regiões específicas. Em Mato Grosso, a instalação de abatedouros de frango na região de Sorriso/Lucas do Rio Verde trouxe forte aquecimento para o mercado de terras. Já em Ponta Grossa no Paraná, a bovinocultura de leite é que vem dando sustentação à compra e venda de terras.   Na média do bimestre, a região Centro-Oeste teve a valorização mais expressiva: de 40,1% na comparação com 36 meses atrás. Mas foi no Norte onde se registrou a maior apreciação de preços no período, de 818% na área de mata em Macapá, estado do Amapá. No Nordeste a alta foi de 39,3%. As regiões Sudeste e Norte tiveram valorizações médias muito próximas, de 35,4% e 35,2%, respectivamente. Por fim, a região Sul apresentou 29,7% de valorização e já ultrapassa os preços médios da região Sudeste.

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