IPO de fertilizantes volta a ser estudado, afirma Vale

'O IPO hoje não é mais um fator crítico', disse o diretor executivo de Finanças da companhia

Mônica Ciarelli, da Agência Estado,

31 de maio de 2011 | 11h11

O diretor executivo de Finanças da Vale, Guilherme Cavalcanti, afirmou hoje que a oferta pública inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) da área de fertilizantes da mineradora voltou a ser estudada pela companhia. "(O tema) voltou à prancheta para estudo", contou o executivo, que participa hoje do seminário Rio Investors Day, no Rio de Janeiro.

Entretanto, Cavalcanti lembra que a situação hoje é bem diferente da vivida em 2009, quando a Vale anunciou pela primeira vez a intenção de fazer um IPO de seus ativos no setor. Hoje, a geração de caixa da companhia é quatro vezes maior do que em 2009, o que dá maior flexibilidade financeira para que a Vale possa realizar seus investimentos em fertilizantes. "O IPO hoje não é mais um fator crítico", explicou. Mesmo nesse novo cenário, a companhia decidiu revisitar o tema e agora estuda a possibilidade de fazer uma oferta pública de ações.

Investidores

O diretor executivo acrescentou que a chegada de Murilo Ferreira para assumir o comando da mineradora é um "excelente sinal de que não há uma intervenção governamental" na companhia. Ele lembra que Ferreira tem uma longa experiência no setor. Segundo Cavalcanti, esse currículo profissional já está contribuindo para diminuir a resistência dos investidores, especialmente os estrangeiros, que mostraram grande preocupação com os rumos da empresa após a sucessão no comando. Ele disse ainda que a defasagem entre o preços das ações da Vale e das concorrentes já começou a diminuir.

Entretanto, a valorização do real tem dificultado o trabalho da Vale fazer hedge (proteção) de seu caixa, segundo o diretor executivo de Finanças da mineradora. Ele lembra que a maior parte da receita da Vale vem de moedas estrangeiras, enquanto 65% de suas despesas são em reais. Esse descasamento fez com que a companhia iniciasse 2011 com uma necessidade de fazer hedge de U$ 30 bilhões, cifra que representa os custos e os investimentos necessários para o período.

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