Israel pretende montar fundo soberano dentro de um ano, diz WSJ

Receita virá das descobertas recentes de gás natural em alto mar do país, de acordo com o diretor do Departamento Econômico Nacional israelense

Gustavo Nicoletta, da Agência Estado,

26 de janeiro de 2011 | 15h28

Israel pretende criar nos próximos 12 meses seu primeiro fundo soberano, cuja receita virá das descobertas recentes de gás natural em alto mar do país, de acordo com o diretor do Departamento Econômico Nacional israelense, Eugene Kandel. "Não é uma fantasia. Estamos trabalhando para implementar isso dentro de um ano", afirmou a autoridade ao Wall Street Journal.

Em 2009, um consórcio formado por companhias petrolíferas israelenses e pela norte-americana Noble Energy anunciou a descoberta de um campo com 8 trilhões de pés cúbicos de gás em alto mar. A região foi batizada de Tamar e até então era a maior jazida de gás natural da história de Israel. Em dezembro do ano passado, no entanto, foi descoberto o campo de Leviatã, com 16 bilhões de metros cúbicos de gás natural, ou o suficiente para abastecer todo o país por 100 anos.

Segundo Kandel, o governo espera que o fundo soberano ajude Israel a evitar as armadilhas econômicas que ameaçam nações que se veem repentinamente detentoras de grandes reservas de recursos naturais - fenômeno conhecido como a Doença Holandesa, em referência à decadência do setor industrial na Holanda após a descoberta de gás natural no país, em 1959.

Israel atualmente estuda fundos soberanos similares montados na Noruega, em Cingapura e no Chile. O fundo israelense aplicaria dinheiro no exterior tendo em vista investimentos de longo prazo que serviriam como colchão diante de um eventual acontecimento catastrófico, como um terremoto, disse Kandel.

Ele também afirmou que o fundo soberano também pode ajudar a canalizar para outros destinos a entrada crescente de capital estrangeiro em Israel, reduzindo a pressão pela apreciação da moeda local, o shekel. "Não queremos adoecer da Doença Holandesa, especialmente porque já somos um país rico", afirmou. "Não precisamos de um aumento nos salários, nos preços das terras e de um fortalecimento da nossa moeda."

As informações são da Dow Jones. 

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