Itália precisa investir em capital humano, diz novo presidente do BC

Segundo Visco, grande parte do baixo crescimento italiano vem de 'atrasos e dúvidas' por parte das companhias do país em relação a inovação tecnológica, globalização e integração europeia

Álvaro Campos, da Agênica Estado,

25 de novembro de 2011 | 09h48

O novo presidente do banco central da Itália, Ignazio Visco, disse hoje que o duro plano de austeridade do governo é "insuficiente" para convencer os investidores da sustentabilidade da dívida pública do país e que agora o necessário é crescer mais, o que vai exigir mais capital humano.

Para Visco, a economia da Itália tem crescido a uma taxa que é metade da observada em outros membros da zona do euro. Segundo ele, uma grande parte do "defeito no crescimento" italiano vem de "atrasos e dúvidas" por parte das companhias do país em relação a inovação tecnológica, globalização e integração europeia. As empresas precisam "gerar inovação por conta própria", em vez de apenas imitar a inovação conquistada em outros lugares, diz ele.

O presidente do banco central também afirma que é essencial prosseguir com as reformas estruturais necessárias para impulsionar a taxa de crescimento potencial da Itália. Entre as reformas citadas por ele estão mudanças no mercado de trabalho, liberalização, tribunais mais eficientes, modernização do sistema de previdência e acesso maior a capital de risco.

"Aumentar as habilidades do capital humano do nosso país é pelo menos tão importante quanto todo o resto", comentou Visco, que se tornou presidente do Banco da Itália este mês, após a saída de Mario Draghi, que assumiu a presidência do Banco Central Europeu (BCE). Visco também faz parte do conselho executivo do BCE.

Segundo Visco, somente 15% dos italianos entre 25 e 64 anos têm formação universitária, metade do nível das economias avançadas em geral. E a taxa de 20% observada na geração mais nova ainda está bem abaixo do registrado nos outros membros da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

Mas o problema é ainda maior. Visco diz que 80% dos italianos são "analfabetos funcionais", de acordo com testes padrões, ante um nível de 50% nos EUA e 30% Noruega. Ele diz ainda que a Itália investe apenas 2,4% do seu PIB em fatores de "conhecimento" - que vão desde a educação pública e privada até pesquisa & desenvolvimento e softwares. A média da OCDE, segundo ele, é de 4,9%.

Visco afirma que os empregadores também são culpados pela situação do mercado de trabalho, já que reduziram os salários iniciais para níveis "de algumas décadas atrás", em termos ajustados pela inflação. Devido a essa necessidade de mudanças abrangentes, "é uma ilusão acreditar que as intervenções macroeconômicas serão capazes de resolver os problemas de crescimento da Itália", diz. As informações são da Dow Jones. 

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