Itália quer ‘emprestador de última instância’ para Europa

O gabinete do primeiro-ministro Silvio Berlusconi emitiu nota na qual enfatizou que a Itália 'já fez e está tentando concluir o que é tanto de seu interesse nacional quanto da Europa'

Agência Estado,

24 de outubro de 2011 | 15h35

O governo da Itália defendeu hoje que a zona do euro crie para si mesma um "emprestador de última instância" e advertiu a seus parceiros de União Europeia (UE) que não tentem dar a ela lições econômicas e fiscais.

Recorrendo a palavras duras, o gabinete do primeiro-ministro Silvio Berlusconi emitiu nota na qual enfatizou que a Itália "já fez e está tentando concluir o que é tanto de seu interesse nacional quanto da Europa, além de estar em linha com seu senso de justiça social".

Berlusconi convocou para hoje uma reunião de gabinete para avaliar medidas de estímulo ao crescimento do país em um momento no qual encontra-se sob pressão de seus parceiros na UE para que as aprove. O comunicado à imprensa foi divulgado momentos antes do início da reunião.

O governo italiano observou que o euro é a única moeda forte do mundo que não dispõe de um "emprestador de última instância" e defendeu que isso seja "consertado de uma vez por toda ou haverá uma crise a ser compartilhada por todas as economias europeias".

De acordo com o governo Berlusconi, a Itália dispõe do maior superávit primário da zona do euro. Ainda segundo a nota, a Itália se dispõe a ajudar a Alemanha a implementar uma melhor governança da zona do euro, mas advertiu que nenhum país da UE deve ousar falar em nome de nenhum governo eleito e que "ninguém está em posição de dar lições" a Roma.

Ainda segundo o governo, a Itália apresentará uma "forte" posição em relação à crise na zona do euro. Para Roma, o estresse bancário é um problema "particularmente presente" para a Alemanha e a França, numa pouco velada alusão ao fato de os bancos italianos não estarem precisando ser resgatados nem terem feito empréstimos à Grécia e a outros países altamente endividados. As informações são da Dow Jones. (Ricardo Gozzi)

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