Daniel Teixeira/Estadão
Daniel Teixeira/Estadão

Itaú se alia a independentes e cria plataforma aberta em seguros

Banco começou a testar venda de produtos de outras seguradoras, replicando estratégia adotada em investimentos

Aline Bronzati, O Estado de S.Paulo

26 Junho 2018 | 04h00

O Itaú Unibanco está se aliando a seguradoras independentes em um movimento que, além de replicar a plataforma aberta já adotada em investimentos – batizada de 360 e que oferece fundos de gestoras menores –, visa a dar um novo fôlego no setor de seguros. Após reestruturar a sua operação, saindo dos grandes riscos e se concentrando na venda de apólices em canais bancários, o banco está debruçado em ampliar sua operação, tornando-a mais relevante diante do fato de ser a maior instituição financeira privada da América Latina.

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Ainda piloto, o novo projeto do Itaú, antecipado pela Coluna do Broadcast em abril, vai mudar por completo a forma do banco de atuar em seguros. Ao invés de ofertar apenas os produtos que tem em sua prateleira, o banco começou a testar a venda de soluções de outras seguradoras.

O Itaú vai fazer, conforme o novo diretor de seguros da instituição, Luiz Fernando Butori, um trabalho de curadoria junto ao cliente, com foco nas necessidades individuais, e não mais a reboque das metas dos gerentes. As primeiras seguradoras que vão participar do piloto já foram selecionadas a partir de um processo de concorrência aberto no mercado. Além da Chubb (ex-Ace), que há quatro anos adquiriu a carteira de grandes riscos do Itaú, também participam do início do projeto a MetLife, a Icatu e a Prudential, que levou a carteira de seguro de vida em grupo do banco.

A estratégia do Itaú, explica Butori, é a mesma traçada com a plataforma 360, na qual o banco decidiu abrir o seu portfólio de investimentos para ofertar produtos de outras gestoras, após entender que não necessariamente tinha a melhor cesta dentro de casa, há um ano e meio. Na mira, estão os que já têm conta no banco e também os não correntistas.

“Esperamos fazer um negócio grande. Nossa seguradora é relevante, mas seu tamanho não conversa com o do banco”, diz o diretor de seguros do Itaú.

Com lucro de pouco menos de R$ 700 milhões no primeiro trimestre, a seguradora do Itaú registrou quase R$ 1 bilhão em prêmios de seguros no período. A partir da plataforma aberta, há potencial, segundo Butori, para duplicar essa receita em dois anos. O executivo pondera, no entanto, que essa métrica dificultará a comparação com o mercado, uma vez que parte do faturamento será capturado pelas seguradoras parceiras. Por isso, o foco da instituição é na geração de valor do negócio, que, conforme Butori, deve dobrar em até três anos.

Crédito fraco. O reposicionamento do Itaú ocorre em um momento em que os grandes bancos estão revendo sua operação de seguros, em uma ofensiva para multiplicar as receitas do segmento, visto que o crédito não dá sinais de maior vigor. Neste momento, o Banco do Brasil e a espanhola Mapfre discutem os detalhes finais da revisão do acordo que possuem, a pedido da instituição pública, que não estava satisfeita com a sua fatia nas receitas. A Caixa Econômica Federal também renegocia com a sócia francesa CNP Assurances, enquanto toca a venda do restante do seu balcão de seguros a outros players.

“Os bancos entenderam que precisam diversificar suas receitas e o setor de seguros tem muito potencial no longo prazo, uma vez que representa cerca de 6% do Produto Interno Bruto (PIB)”, avalia a diretora da Fitch Ratings, Esin Celasun. “É muito pequeno”, acrescenta.

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