Daniel Teixeira/Estadão
Daniel Teixeira/Estadão

Itaú tem lucro de R$ 6,4 bi no trimestre, alta de 3,2% em um ano

Desempenho foi influenciado por um custo menor do crédito e pelo recuo das despesas com perdas para calotes

Aline Bronzati, O Estado de S.Paulo

30 Outubro 2018 | 04h00

O Itaú Unibanco teve lucro líquido recorrente de R$ 6,454 bilhões no terceiro trimestre deste ano, cifra 3,2% superior à do mesmo intervalo de 2017. O desempenho do banco foi influenciado, conforme relatório que acompanha as demonstrações financeiras da instituição, por um menor custo do crédito e crescimento da margem financeira com clientes.

Os efeitos positivos que beneficiaram o desempenho do banco no período foram compensados por maiores despesas não decorrentes de juros em meio ao reforço que a instituição fez de suas equipes comerciais, em especial na rede de agências, seguros e adquirência. Houve também, conforme o banco, o impacto sazonal do acordo coletivo, além do efeito da variação cambial nas despesas na América Latina.

A carteira de crédito total ajustada do banco encerrou setembro em R$ 636,4 bilhões, aumento de 2,1% ante junho. Em um ano, quando a cifra foi de R$ 575,2 bilhões, foi visto aumento de 10,6%.

Em nota à imprensa, o presidente do Itaú, Candido Bracher, afirmou que a instituição segue observando uma “demanda saudável” por crédito tanto de pessoas físicas quanto de micro, pequenas e médias empresas. “Nesse terceiro trimestre de 2018, concedemos 38% mais créditos para pessoas físicas e 22% mais créditos para micro, pequenas e médias empresas no Brasil em relação ao mesmo período de 2017”, disse o executivo. “A melhoria dos indicadores de inadimplência dessas carteiras ao longo do ano tem evidenciado a qualidade dessa originação de crédito.”

Os ativos totais do Itaú alcançaram R$ 1,613 trilhão no terceiro trimestre, aumento de 10% em um ano. Já o patrimônio líquido somou R$ 125,035 bilhões de julho a setembro, incremento de 1,1%. O retorno recorrente sobre o patrimônio líquido médio anualizado (ROE) ficou em 21,3% ao fim de setembro, contra 21,6% um ano antes.

O índice de inadimplência, considerando atrasos acima de 90 dias, foi a 2,9% no terceiro trimestre, acima do indicador visto nos três meses anteriores, de 2,8%. Há um ano, entretanto, houve melhora: estava em 3,2%.

Inadimplência

A piora da inadimplência foi causada, segundo o banco, pelas operações no Brasil, uma vez que o indicador na América Latina melhorou. Enquanto localmente a inadimplência passou de 3,4% ao final de junho para 3,5% em setembro, na América Latina, baixou de 1,5% e 1,3%, nesta ordem.

O aumento dos calotes, explica o banco, está relacionado ao segmento de grandes empresas no Brasil. “Esse aumento da inadimplência de grandes empresas ocorreu devido à rolagem de clientes que se encontravam em atraso entre 15 e 90 dias no trimestre anterior e que migraram para a parcela acima de 90 dias e que já estavam adequadamente provisionados. Não houve concentração em cliente ou setor específico”, acrescenta o banco em relatório.

A inadimplência de pessoas físicas apresentou melhora de 0,6 ponto porcentual em 12 meses, de 5,1% para 4,5%, e a inadimplência de micro, pequenas e médias empresas teve melhora de 1,5 ponto porcentual , de 4,9% para 3,4%, registrando o menor patamar desde a fusão entre Itaú e Unibanco.

As despesas com provisões para devedores duvidosos, as chamadas PDDs, totalizaram R$ 3,904 bilhões, cifra 8,8% inferior ante mesmo intervalo de 2017.

O banco reverteu R$ 298 milhões em provisões no trimestre, principalmente pela melhora de classificação de risco de um cliente específico do segmento de atacado. Já no varejo – Brasil, o crescimento da carteira de crédito levou ao natural aumento de R$ 206 milhões na despesa de PDD do período.

O saldo de PDDs somou R$ 35,496 bilhões no terceiro trimestre, queda de 3,09% em um ano, quando estava em R$ 36,630 bilhões.

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