Itaú Unibanco defende política do Banco Central

Economista-chefe da instituição defende que corte de juros do BC parte da previsão de que a desaceleração da economia global fará a inflação cair mais do que o necessário

Danielle Chaves, da Agência Estado,

22 de novembro de 2011 | 14h14

O Banco Central do Brasil continua comprometido com o controle da inflação, apesar de sua política de redução das taxas de juros em um momento em que os preços permanecem altos, afirmou o economista-chefe do Itaú Unibanco, Ilan Goldfajn, nesta terça-feira, 22.

Segundo Goldfajn, o Banco Central prevê uma desaceleração global no futuro, "que eles acreditam que terá uma força tal que a inflação cairá mais do que o necessário". Isso dá à instituição espaço para cortar os juros ainda mais, afirmou o executivo.

Depois de implementar elevações durante boa parte do primeiro semestre, o Banco Central cortou a taxa básica de juros, a Selic, em 0,50 ponto porcentual em agosto. O movimento pegou muitos investidores de surpresa porque a inflação estava alta na época, em mais de 7%.

O Banco Central cortou os juros novamente em outubro, deixando a Selic em 11,50%, e, de acordo com Goldfajn, deverá continuar afrouxando a política monetária no futuro. "Se eles continuarem usando as taxas de juros como a principal ferramenta, significa que (a taxa Selic) pode cair para 9%", disse.

O Brasil, assim como a maior parte dos outros países emergentes, deverá ver sua economia se desacelerar neste ano como resultado das condições piores que as previstas nos mercados globais geradas pela crise de dívida da zona do euro. "A economia global está menos benigna para todo mundo, incluindo os mercados emergentes", afirmou Goldfajn. "O crescimento vai continuar nos mercados emergentes, incluindo o Brasil, mas a um ritmo levemente mais lento", acrescentou.

Depois de crescer 7,5% em 2010, a expansão econômica brasileira deverá se desacelerar para cerca de 3% neste ano, disse Goldfajn, observado que espera uma taxa de crescimento média de 3,5% em 2012.

As condições dos mercados globais também têm causado amplas flutuações no real e o Banco Central passou boa parte do primeiro semestre batalhando para limitar a alta da moeda. Mas, depois que o real sofreu uma onda de pesadas vendas no fim de setembro, a instituição tomou medidas para conter a desvalorização da moeda. Goldfajn prevê que o real vai se estabilizar entre R$ 1,70 e R$ 1,80 por dólar antes do fim do ano.

Apesar da intensificação da crise na zona do euro, Goldfajn disse não esperar que qualquer membro deixe o bloco, mas alertou que o caminho adiante para os países europeus será longo e difícil, tendo em vista a experiência da América Latina na década de 1990.

As informações são da Dow Jones.

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