Nilton Fukuda/Estadão
Nilton Fukuda/Estadão

Itaúsa avalia disputa pela BR Distribuidora

Holding engrossa lista de interessados pelo controle da companhia, dizem fontes; Petrobrás já enviou prospecto de venda a potenciais compradores

Cátia Luz, Fernando Scheller, O Estado de S.Paulo

05 de outubro de 2016 | 05h00

Um dia após a Petrobrás dar início ao envio do prospecto de venda da BR Distribuidora para eventuais interessados, mais um grande grupo investidor passou a estudar a compra da rede de distribuição de combustíveis da estatal. A Itaúsa, holding de investimento das famílias Setubal e Vilella, em conjunto com a Cambuhy Investimentos, empresa de private equity da família Moreira Salles, está avaliando o negócio como uma possibilidade de diversificação do portfólio das companhias, segundo apurou o ‘Estado’.

Se confirmado, o grupo entraria na briga com outros interessados já aventados pelo mercado, como o fundo americano de investimentos Advent, a gestora brasileira GP Investiments e a trading de commodities holandesa Vitol.

Segundo fonte que acompanha de perto o processo de venda da BR Distribuidora, Itaú e Cambuhy têm caixa e apetite, mas não teriam “management”para assumir o negócio. Por isso, é provável a construção de um consórcio para arrematar a empresa, caminho que pode ser seguido também por outros grupos interessados. De acordo com a mesma fonte, muitos players devem olhar o ativo para entender o negócio, mas os investidores financeiros (fundos e empresas de investimento) são encarados como os mais prováveis a levar a disputa adiante. “O que afasta os investidores estratégicos é que a bandeira BR tem um grande valor, o que não é tão forte para quem já tem uma marca”, explica. As tradings, por sua vez, também têm interesse porque podem se a aproveitar da diferença dos preços de combustível entre o mercado interno e externo.

Uma fonte de mercado afirmou que a entrada de Itaúsa e Cambuhy na disputa pela BR Distribuidora seria interessante não só para os dois investidores, mas também para a Petrobrás, que ganharia dois sócios capitalizados e, ao mesmo tempo, poderia seguir na operação da distribuidora, ainda que venda uma fatia majoritária do negócio para eles. “O interesse faz sentido. O Cambuhy tem uma forte característica de pulverização da carteira”, disse a fonte.

Histórico. Após negociações sem sucesso para a venda de participação minoritária da BR Distribuidora, a estatal concordou em julho vender o controle do negócio de combustíveis. A Petrobrás vai se desfazer de 51% do capital votante da BR como parte de seu programa de vendas de ativos. O valor de 100% da BR Distribuidora estaria em cerca de R$ 30 milhões, segundo avaliações de mercado.

Inicialmente, a Petrobrás estaria disposta a se desfazer apenas de uma fatia minoritária da BR Distribuidora, de 25%. O negócio, no entanto, não havia atraído a atenção de muitos investidores, uma vez que muitos temiam ficar subordinados à estatal depois do escândalo de corrupção da Lava Jato, que feriu a imagem da petrolífera nacional e internacionalmente. Outra alternativa aventada foi a abertura de capital do negócio, mas a proposta também se revelou financeiramente pouco atraente e acabou abandonada.

Segundo dados da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), a Ipiranga detinha 19,7% das vendas de combustíveis no País em março. A segunda colocada, a Ipiranga, tinha com 17,7%, já somada a participação de 3,1% da Ale, que a distribuidora do Grupo Ultra adquiriu em abril. A terceira colocada é a Raizen (joint venture entre Cosan e Shell).

Próximo ano. Como a Petrobrás é uma empresa pública, os ritos do processo de venda devem empurrar a conclusão da operação para o ano que vem, segundo declarou o próprio presidente da estatal, Pedro Parente. A ideia é que as propostas sejam avaliadas pela companhia durante o primeiro trimestre de 2017. “Achamos que vamos receber as propostas vinculantes no fim de novembro ou em dezembro”, disse Parente, em julho. Mesmo após a escolha da Petrobrás, a compra da BR Distribuidora terá de passar pelo crivo de órgãos reguladores.

Procurados, Itaúsa, GP e Cambuhy não retornaram os contatos da reportagem. A Advent afirmou que não comentaria. A Petrobrás disse na segunda-feira, em nota, que enviou o prospecto de venda a potenciais parceiros.

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