Tiago Queiroz/Estadão - 9/9/2021
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Itaúsa e Votorantim compram fatia da Andrade Gutierrez na CCR por R$ 4,1 bi

Concessionária tem mais de 3,7 mil km de rodovias pelo País, sendo que a Via Dutra é considerada a ‘joia da coroa’ de seu portfólio

Matheus Piovesana e Juliana Estigarribia, O Estado de S.Paulo

05 de julho de 2022 | 19h34
Atualizado 06 de julho de 2022 | 12h38

A empresa de investimentos que controla o  Itaú, a Itaúsa informou nesta terça-feira, 5, que fechou, em conjunto com a Votorantim, a compra da fatia da construtora Andrade Gutierrez na concessionária CCR, dona de contratos como o da Via Dutra, que foi recentemente renovado. A operação envolve 14,9% do capital da empresa, por um valor de R$ 4,1 bilhões. 

A Andrade Gutierrez informou que o valor por ação no acordo foi de R$ 13,75, o que embute um prêmio de 14% em relação ao preço atual do papel da CCR. Para uma fonte de mercado, a saída da Andrade, a entrada da Itaúsa e o aumento da fatia da Votorantim também servem a uma questão de reputação para a concessionária, uma vez que a construtora tem seu nome bastante ligado à Operação Lava Jato, que investigou esquema de corrupção na Petrobras. 

A concessionária faz a gestão de cerca de 3,7 mil quilômetros de malha rodoviária no País, em Estados como São Paulo, Rio de Janeiro e Mato Grosso do Sul. A rodovia Presidente Dutra, que liga São Paulo ao Rio de Janeiro, é considerada sua “joia da coroa”.

A CCR atua também nos setores de aeroportos e mobilidade urbana. Somente no ano passado, a companhia arrematou 16 aeroportos em leilões, que se somam à concessão do Aeroporto de Belo Horizonte. Foi também no ano passado que a companhia arrematou as linhas 8 e 9 da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), na Grande São Paulo, por quase R$ 1 bilhão. 

Para analistas do setor, a busca de novos recursos pela CCR tem razão de ser. Isso porque a companhia tem o desafio de equilibrar suas contas enquanto parte da receita dessas novas concessões não chega. Ao mesmo tempo, para se manter competitiva, terá de ter fôlego para participar de importantes leilões, como o da 7.ª rodada de aeroportos, prevista para o mês que vem. Nesse certamente será concedida outra das joias da coroa da infraestrutura nacional: o aeroporto de Congonhas, em São Paulo.

Divisão do capital

O investimento da Itaúsa no negócio será de R$ 2,9 bilhões, e o da Votorantim, de R$ 1,3 bilhão. A conclusão do negócio está sujeita a condições usuais, incluindo a aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

Após a conclusão da aquisição, considerando a participação atual da Votorantim na CCR, de 5,8%, as empresas terão aproximadamente 10,3% cada uma do capital da concessionária.

Nos últimos anos, a Itaúsa diversificou sua carteira de investimentos para além do Itaú, seu principal ativo. A companhia detém posições na Alpargatas, de calçados e vestuário. No setor de infraestrutura e serviços públicos, está na Aegea, de saneamento, e na NTS, transportadora de gás natural surgida dos desinvestimentos da Petrobras no setor.

Para Alfredo Setubal, diretor-presidente da Itaúsa, trata-se de mais um passo nessa direção. “Esse investimento reúne características fundamentais da estratégia de alocação eficiente de capital da Itaúsa, que considera empresas líderes em seus setores de atuação, a relação risco/retorno atrativa, o potencial de crescimento e impacto positivo para a sociedade”, disse, em nota.

Empresa capitalizada

A Itaúsa está com dinheiro disponível para novos investimentos. Após receber, do Itaú Unibanco, um bloco de ações da XP, a holding de investimentos foi à Bolsa duas vezes para vender os papéis, pois já disse que não considera a corretora como um ativo estratégico. 

Nas vendas, realizadas em dezembro do ano passado, a empresa levantou R$ 3 bilhões. Além disso, ainda pode vender o equivalente a R$ 2,4 bilhões neste ano, consideradas as cotações atuais.

No primeiro trimestre, a Itaúsa teve resultados recordes, diante da venda de papéis da XP e com o melhor resultado do Itaú. No período, a Itaúsa lucrou R$ 3,8 bilhões, alta de 59% em um ano, mesmo após investir R$ 799 milhões na oferta de ações da Alpargatas. 

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