Stringer/Reuteres
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Após cancelar projeto na Bahia, chinesa JAC anuncia fábrica em Goiás para 2019

Representante do grupo no País, Sérgio Habib, da SHC, vai investir R$ 200 milhões para produzir até 35 mil veículos por ano; novo projeto é anunciado após companhia desistir de unidade de carros e caminhões de Camaçari, que era avaliada em R$ 1 bi

Cleide Silva, O Estado de S.Paulo

18 Dezembro 2017 | 16h57

Cinco anos após ter enterrado um carro como “cápsula do tempo” para marcar o início das obras de uma fábrica em Camaçari, na Bahia, e ter suspendido o projeto anos depois em razão da crise econômica, a JAC Motors anunciou ontem que iniciará a produção de modelos da marca chinesa em Goiás no fim de 2019.

O presidente do grupo SHC, Sérgio Habib, representante da JAC no País, informou ao governador goiano, Marconi Perillo, investimento de R$ 200 milhões para uma fábrica com capacidade para 35 mil veículos ao ano. Serão gerados cerca de 820 empregos diretos e indiretos para a produção de dois utilitários esportivos - o T40 e um modelo ainda mantido em sigilo.

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O local da fábrica não foi divulgado, mas, segundo fontes do mercado, é quase certo que será em Itumbiara, no galpão onde funcionaria a Suzuki que, também em razão da crise, optou por montar o jipe Jimny no complexo produtivo da Mitsubishi, em Catalão.

O projeto na Bahia, que deveria ser concluído em 2014, era avaliado em R$ 1 bilhão e teria capacidade para 100 mil automóveis e 10 mil caminhões.

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“Nós jamais deixamos de trabalhar para a instalação de nossa fábrica no Brasil”, disse Habib. “Tanto que uma fração do investimento vem sendo aplicada no desenvolvimento dos modelos e nossos entendimentos com o Mdic (Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços) têm sido frequentes.

Por ter desistido do projeto baiano após receber benefícios tributários pelo programa Inovar-Auto - que termina no fim do mês -, o grupo SHC teve suspensa a habilitação ao programa no ano passado e deveria pagar multa calculada em cerca de R$ 120 milhões. O grupo, porém, obteve liminar para evitar o pagamento.

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Habib espera que a cobrança referente ao Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) não recolhido dos modelos que importou no período seja suspensa. Procurado, o Mdic informou que “a habilitação da empresa como projeto de investimento no Inovar-Auto permanece cancelada”.

A Secretaria da Fazenda da Bahia disse que as pendências da JAC estão sendo tratadas pela Procuradoria-Geral do Estado. “O governo entende que a empresa, tendo usufruído de benefícios vinculados à implantação da fábrica na Bahia, deve fazer o ressarcimento desses valores, cujo montante está sendo atualizado pela área fiscal do Estado.”

Vendas. Quando chegou ao Brasil, em 2011, a chinesa vendeu 23,7 mil carros. Com o aumento de 30 pontos porcentuais de IPI para importados e cota de 4,8 mil unidades estabelecidos pelo Inovar-Auto, as vendas despencaram. 

Neste ano, serão 4 mil unidades. Com o fim do Inovar-Auto, Habib prevê vender dobrar as vendas para 8 mil unidades em 2018. “Voltaremos a vender o que tivermos competência para vender, não aquilo que a lei impõe como limite.”

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