Japan Airlines pode entrar em concordata

Fundo do governo discute solução com credores da companhia

Reuters,

28 de dezembro de 2009 | 12h02

Um fundo de recuperação financiado pelo governo pode decidir por uma concordata para a Japan Airlines como parte de sua reestruturação, afirmaram duas fontes próximas ao caso.

Em outubro, a JAL pediu ajuda à Enterprise Turnaround Initiative Corp of Japan (ETIC), fundo criado este ano para ajudar na recuperação de empresas financiadas com empréstimos governamentais. O fundo pode decidir já no mês que vem se irá ou não apoiar a empresa aérea.

O ETIC discutiu com credores da JAL a possibilidade de usar um pedido de proteção judicial (conhecido como capítulo 11), junto com novos empréstimos e investimentos, mas não descarta um processo de reestruturação não-judicial, disseram as fontes.

Autoridades do governo já afirmaram que é possível uma reestruturação judicial mas também está preocupado com os possíveis problemas que causaria no setor aéreo. A JAL é a maior empresa aérea da Ásia em receita, e responde por mais da metade do tráfego aéreo do Japão.

Uma concordata também poderia complicar as negociações com as norte-americanas American Airlines e Delta Air Lines, que fizeram ofertas rivais de investimento para ganhar acesso à rede da japonesa na Ásia e se aproximar de suas rotas Estados Unidos-Japão.

"Caso a JAL realmente abra um pedido de proteção judicial, isso causaria o caos", disse o analista de aéreas e professor da Universidade Internacional de Josai, Kotaro Toriumi. "No momento, creio que as chances de ocorrer uma concordata da JAL ainda são mínimas".

Além das negociações com credores, atualmente em andamento, o ETIC se reuniu com a JAL no fim de semana e explicou que a concordata está sendo considerada como uma das opções, disseram as fontes, sob condição de anonimato em função do tema sensível.

Tanto o fundo quanto a empresa aérea não quiseram comentar as informações.

As chances de que haja uma concordata parecem ter aumentado desde a semana passada, quando o ministro de Finanças, Hirohisa Fujii, afirmou que o governo não iria conceder mais empréstimos à JAL, aumentando o risco de que a empresa acabe ficando sem caixa em meio à queda na demanda.

A JAL enfrentava, no final de setembro, uma dívida total de 1,5 trilhões de ienes. Com esse número, a concordata seria a sexta maior na história do Japão, depois do colapso da empresa de varejo Mycal em 2001.

"Caso permitam que a JAL entre com pedido de proteção judicial do jeito que está agora, isso poderia provocar uma enorme confusão social", disse uma das fontes. "Haveria um alvoroço sobre milhas, aviões sem decolar, clientes suspenderiam transações". (Nathan Layne,  Nobuhiro Kubo, Mariko Katsumura e Aiko Hayashi)

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