Japão considera mais estímulos em meio ao fortalecimento do iene

Medidas instituídas durante a recente crise financeira começarão a expirar em breve

Ligia Sanchez, da Agência Estado,

19 de agosto de 2010 | 10h54

Preocupado com a desaceleração na economia e a apreciação do iene, o governo do Japão está considerando outra rodada de estímulos para impulsionar o crescimento, já que as medidas instituídas durante a recente crise financeira começarão a expirar em breve. Mas as autoridades enfrentam o grande desafio de equilibrar qualquer novo gasto com seus compromissos de conter a dívida do país, que já está se aproximando de duas vezes o tamanho do Produto Interno Bruto do Japão.

O crescimento econômico diminuiu no segundo trimestre para um ritmo anualizado de 0,4%, ante 4,4% no trimestre anterior, e como resultado, a receita de impostos deve ser afetada. O governo não está propenso a aumentar sua dívida para financiar qualquer nova medida, que deve ser limitada em escopo e em impacto de longo prazo, avaliam analistas.

Agora, o governo está considerando seriamente onde gastar a limitada receita de imposto a fim de promover "expansão econômica", disse nesta quinta-feira o Ministro de Finanças, Yoshihiko Noda. Ele pensa que é hora de estudar cuidadosamente como criar condições para "pessoas jovens conseguirem empregos". Os comentários foram feitos depois que o primeiro-ministro Naoto Kan apontou o mercado de trabalho para jovens como "muito desolador", em declaração no início da semana.

Os comentários sugerem que qualquer pacote incluirá medidas de apoio a emprego. O Ministério do Trabalho planeja expandir os programas de apoio a emprego, incluindo um voltado a recém-graduados, segundo reportagem do jornal Nikkei. Medidas emergenciais para impulsionar consumo e apoiar pequenos negócios afetados pelo iene forte também podem ser incluídas, de acordo com notícias da mídia local.

Na quarta-feira, o primeiro-ministro Kan pediu a Noda, ao Ministro do Comércio, Masayuki Naoshima, e ao Ministro da Economia, Satoshi Arai, para avaliarem as condições econômicas e informá-lo sobre a situação. Kan afirmou que em breve receberá os relatórios e depois tomará uma decisão sobre estímulos adicionais.

O Comitê de Pesquisa Política do Partido Democrático do Japão, de Kan, pretende finalizar sua proposta de estímulo extra na próxima semana e submetê-la ao governo até o final do mês, segundo afirmou à Dow Jones um representante do comitê, Satoshi Nishiyama. A proposta incluirá sugestões para controlar o iene forte.

Na semana passada, o dólar caiu para uma mínima de 15 anos ante o iene, a 84,72 ienes. A apreciação do iene tem efeito negativo na perspectiva para a economia do Japão, orientada à exportação. O iene forte torna os produtos japoneses menos competitivos no exterior e diminui a receita externa que retorna ao país.

Os ganhos da moeda levaram Noda a ameaçar, na semana passada, com uma "ação apropriada". No passado, autoridades usaram tal linguagem para se referir indiretamente à possibilidade de intervenção no mercado de câmbio. Mas traders dizem que o governo pode, ao contrário, tentar extrair relaxamento monetário adicional do Banco do Japão, a fim de reduzir o valor o iene. O primeiro-ministro Kan deve se reunir com o presidente do banco central, Masaaki Shirakawa, na segunda-feira, para discutir como lidar com o iene, segundo a imprensa do país.

"Não há dúvida de que o iene forte é extremamente doloroso para exportadores (japoneses)", afirmou o vice-ministro de finanças do Japão, Naoki Minezaki.

Qualquer gasto em estímulos adicionais deve ser financiado com 1,7 trilhão de ienes em "fundos de contingência" dos orçamentos dos anos fiscais atual e passado, afirma o economista Masaaki Kanno, do JPMorgan. "Normalmente, tais fundos são usados em casos como terremotos e tufões, mas talvez o governo considere o fortalecimento do iene como um tipo de terremoto", diz Kanno.

Kanno alerta que gastos adicionais "terão pouco impacto nas expectativas dos japoneses pela economia e tampouco aumentarão o apetite estrangeiro por investimentos no Japão". Dado o problema da dívida do Japão, tal gasto "não é sustentável", ele afirma.

No início do dia, o ministro Noda ofereceu uma boa imagem do tamanho da dívida: os 862 trilhões de ienes estimado em dívidas dos governos locais e central são mais de 2.500 vezes a altura do Monte Fuji, o mais alto do Japão, se empilhados em notas de dez mil ienes.

As informações são da Dow Jones.

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