Japão injeta dinheiro, mas Bolsa de Tóquio abre em baixa

Banco do Japão injeta US$ 5 bilhões em uma operação a mercado aberto e para o mesmo dia

Agências internacionais,

13 de agosto de 2007 | 00h46

O Banco do Japão (BOJ) injetou nesta segunda-feira, 13, ¥ 600 bilhões (US$ 5 bilhões) em uma operação a mercado aberto e para o mesmo dia  É a segunda intervenção deste tipo em dois dias úteis consecutivos, informou a agência Kyodo. Mesmo assim o índice Nikkei da Bolsa de Tóquio operou nos primeiros minutos do pregão desta segunda-feira em baixa de 38,54 pontos (0,23%), aos 16.725,55.  Veja também:Entenda os efeitos da crise do setor imobiliário dos EUA Veja o comportamento dos mercados Dólar sobe 1,3% e fecha no patamar mais alto desde junhoEx-diretor do BC avalia que intervenções são alerta  O segundo indicador japonês, o Topix, que reúne todos os valores da primeira seção, caía 4,44 pontos (0,27%), para 1.629,49.  Na sexta-feira, a entidade emissora japonesa forneceu ¥ 1 trilhão (US$ 8,5 bilhões) ao mercado como resposta às quedas das bolsas de valores generalizadas na primeira ação coordenada com o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) e o Banco Central Europeu (BCE) desde setembro de 2001. O índice PSEI da Bolsa de Manila abriu em baixa de 2,09 pontos (0,06%), aos 3.279,87. As outras bolsas asiáticas não seguiram a japonesa e a filipina e abriram em alta. O índice Hang Seng da Bolsa de Hong Kong operava nos primeiros minutos do pregão de hoje em alta de 139,29 pontos (0,64%), aos 21.932,00. Já o índice Straits Times da Bolsa de Cingapura operava em alta de 15,84 pontos (0,47%), aos 3.375,02. A maior alta registrada na abertura foi na Bolsa de Kuala Lumpur. O índice composto KLCI operou nos primeiros minutos do pregão em alta de 12,88 pontos (1,00%), aos 1.300,58. Já o índice composto JCI da Bolsa de Jacarta registrou alta de 3,53 pontos (0,16%), aos 2.210,93. Europa Executivos de bancos centrais na Europa realizaram reuniões com supervisores e executivos financeiros no final de semana para avaliarem os perigos do arriscado mercado de crédito imobiliário norte-americano para o sistema financeiro, disseram fontes do setor. Bancos Centrais restauraram no fim da sexta-feira uma certa tranqüilidade após o pânico dos mercados financeiros. As autoridades monetárias injetaram uma quantia sem precedentes de 323 bilhões de dólares nos mercados que mostraram uma fuga de ativos por conta de exposições a complexos derivativos de crédito vinculados ao setor de crédito imobiliário de risco dos EUA. O custo de empréstimos no mercado de fundos norte-americano, uma medida crítica das condições do sistema financeiro, despencou para 1 por cento no fim da sexta-feira, bem abaixo da meta de 5,25 por cento do Fed. Isso mostra que grande quantidade de dinheiro foi colocada no sistema bancário e os mercados podem continuar operando. Mas os temores que tomaram conta dos mercados na quinta e na sexta-feira não deverão desaparecer completamente até que os investidores readquiram a confiança de que nenhum banco ou fundo está próximo de um colapso, um problema que pode tornar uma crise temporária de confiança em um caos econômico, segundo analistas. Os bancos alemães tomaram medidas para disponibilizar mais informações neste final de semana. Eles estão no centro de redemoinho na Europa, após uma operação do pequeno IKB dar sinais preocupantes para a comunidade financeira. No domingo, também foi revelado que várias instituições européias como Deutsche Bank, Commerzbank e BNP Paribas são credoras da financeira norte-americana HomeBanc Corp, que entrou com pedido de recuperação judicial contra falência. Sexta-feira Acompanhando o desempenho das bolsas mundiais, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) fechou em baixa de 1,48% na sexta-feira. O volume financeiro ficou em R$ 5,3 bilhões, acima da média diária do ano, de R$ 4,1 bilhões. Na semana, o Ibovespa subiu 0,4%. Em Nova York, depois da intervenção recorde do banco central norte-americano, o índice Dow Jones reduziu a queda, mas ainda fechou em baixa de 0,23%. A Nasdaq - bolsa que negocia ações do setor de tecnologia e internet - fechou com queda de 0,45%.  As bolsas asiáticas fecharam em queda. Na Austrália, a baixa do mercado de ações foi a maior em seis anos, de 3,7%. No Brasil, o dólar comercial fechou no nível mais alto desde junho cotado a R$ 1,9520, uma alta de 1,30%. Na semana, o dólar acumulou valorização de 2,63%.  Bancos centrais de diversos países voltaram a atuar forte nos mercados nesta Sexta-feira. O objetivo é garantir a oferta de dinheiro. O Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos (Fed), bateu recorde de colocação de moeda. Foram três atuações que totalizaram US$ 38 bilhões.  Já o Banco Central Europeu BCE colocou 61,05 bilhões de euros no mercado, menos que a cifra recorde da véspera. Outras intervenções vieram do Banco do Canadá, o banco central suíço, o Banco do Japão e o BC australiano. No total, os bancos centrais colocaram pelo menos US$ 323,3 bilhões no mercado nas últimas 48 horas. Mesmo assim, foram dois dias de forte queda nas bolsas em todo o mundo. A atuação da autoridade monetária dos países se dá pela troca de papéis em poder dos investidores por recursos. Ou seja, um banco que está precisando de liquidez (moeda) vende os títulos que tem em carteira para o banco central de seu país e consegue recursos para honrar os resgates de seus clientes. Nas três intervenções, o Fed aceitou títulos de agências e hipotecas como garantia. Em todas elas, a oferta de recursos pelo banco central americano foi sempre menor que a demanda dos investidores. A ação dos bancos centrais americano e europeu de sexta-feira ocorreu depois que os bancos centrais da Ásia juntaram-se a uma campanha para garantir liquidez aos mercados, abatidos por problemas em bancos e fundos expostos a investimentos de risco ligados ao setor hipotecário norte-americano.  Entenda a crise O mercado imobiliário americano tem um segmento que oferece crédito a pessoas sem renda comprovada e que têm um histórico de inadimplência. É o chamado mercado subprime. No ano passado, nos EUA, com o fim da bolha dos imóveis, os preços destes ativos caíram e houve uma desaceleração da oferta de crédito e de imóveis. Além disso, os juros chegaram ao patamar máximo, elevando o valor das prestações. O resultado disso foi a inadimplência. Estas empresas que ofereciam crédito no mercado subprime empacotavam estes financiamentos e vendiam a outros investidores. Assim, elas recebiam de volta o valor emprestado e os investidores ficariam com o valor da prestação das hipotecas mais os juros. Contudo, o calote das pessoas que tomaram crédito provocou perdas para estes investidores. Para compensar estas perdas, eles saíram de mercados mais arriscados (ações) e migraram para ativos de risco menor (títulos do governo americano). Além disso, a aversão ao risco aumenta com as incertezas sobre a extensão desta crise - quanto em crédito imobiliário está na mão de investidores, e quem são estes investidores. O resultado aqui é a queda das ações de empresas.

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