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Japão prepara-se para intervir no câmbio, dizem fontes

Opções incluem ampliação da linha de empréstimo de emergência para três meses, de juro a 0,1%, do atual volume de 20 trilhões de ienes, ou dobrar o prazo de vencimento de tais empréstimos para seis meses

Cynthia Decloedt, da Agência Estado,

25 de agosto de 2010 | 10h04

O Ministério das Finanças prepara-se para intervir no mercado de câmbio em breve e o Banco do Japão considera medidas adicionais para flexibilizar a política monetária e aliviar o impacto negativo da alta do iene na economia, disseram fontes próximas ao assunto à agência Dow Jones. O BC poderia tomar alguma medida antes do encontro de política monetária de 6 e 7 de setembro se as condições econômicas e financeiras piorarem. As opções incluem ampliação da linha de empréstimo de emergência para três meses, de juro a 0,1%, do atual volume de 20 trilhões de ienes, ou dobrar o prazo de vencimento de tais empréstimos para seis meses.

O primeiro-ministro do Japão, Naoto Kan, o ministro das Finanças, Yoshihiko Noda, e o secretário de gabinete, Yoshito Sengoku, reuniram-se durante o almoço no horário de Tóquio nesta quarta-feira, 25, para discutir a apreciação do iene, mas nenhuma iniciativa clara foi anunciada para lidar com a questão. No entanto, algumas das declarações feitas pelas autoridades após o encontro, especificamente, do ministro das finanças causaram especulações de uma iminente intervenção no câmbio, pela primeira vez desde março de 2004, limitando a apreciação do iene.

Após o encontro, o ministro das finanças declarou ter dito ao primeiro-ministro que seu ministério tomará "ação apropriada quando necessário", sugerindo estar pronto para intervir no mercado de moedas em algum ponto. Noda afirmou que o primeiro-ministro pediu que ele "observasse atentamente o movimento do mercado", tanto a alta do iene, quanto a queda das ações japonesas. Noda acrescentou não ter recebido nenhuma orientação específica do primeiro-ministro sobre como lidar com a alta do iene. "Nossa conversa hoje não foi basicamente (sobre medidas contra o iene), mas foram centradas em assuntos como análises econômicas", afirmou Noda.

Mas pessoas familiarizadas com o assunto disseram à agência Dow Jones que as autoridades japonesas poderão intervir se o iene subir muito rápido ou sua apreciação for excessiva, embora qualquer ação teria como intenção suavizar o movimento do mercado e não alterar a tendência de modo geral do iene. O ministério poderia vender ienes, disse a fonte. O ministério das finanças "nunca disse que não interviria", declarou uma fonte.

Segundo uma fonte, a advertência feita nesta quarta-feira por Noda foi cuidadosamente pensada para enviar um forte sinal aos participantes do mercado de que uma intervenção é possível. A necessidade de uma ação aumentou ontem quando o dólar despencou para uma nova mínima em 15 anos contra o iene, para 83,58 ienes, próximo ao piso histórico de 79,75 ienes atingido em 1995.

A declaração de Noda desta quarta-feira teria sido um ajuste fino ao comentário de ontem, que não evitou a apreciação do iene. Ontem, o ministro disse que "agiria apropriadamente", em linha ao discurso do G-7, contra movimentos agressivos no mercado de câmbio.

A mesma fonte acrescentou que as autoridades do ministério das finanças acreditam que os Estados Unidos e a Europa não se oporiam a uma intervenção do Japão para suavizar o forte movimento do iene, disse a fonte. Mas outra fonte acrescentou que uma aprovação dos Estados Unidos depende das condições de mercado e econômicas em que a intervenção seja feita.

O Ministério das Finanças não pretende embarcar em uma ampla campanha para fortalecer o dólar contra o iene, como fez durante 2003 e 2004, disseram as fontes. O governo japonês quer evitar confronto com os EUA e a Europa, críticas da política de controle do câmbio chinês, segundo as fontes. Se os Estados Unidos e a Europa reclamarem, conseguiriam anular o efeito da intervenção japonesa, afirmaram as fontes.

As informações são da Dow Jones.

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