Japão tem deflação de 0,5% em janeiro; taxa de desemprego cai para 4,9%

Já o gasto das famílias japonesas caiu 3,3% no mês passado em relação a dezembro de 2009

Hélio Barboza, da Agência Estado,

28 de janeiro de 2011 | 08h02

O índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) de Tóquio teve queda de 0,5% em janeiro na comparação com dezembro, e de 0,1% na comparação com janeiro de 2010, segundo informou o governo japonês.

O núcleo do índice, que exclui os preços voláteis, recuou 0,2% em relação a janeiro de 2010. A estimativa do mercado era de um declínio de 0,3%. Em relação a dezembro, o núcleo do índice baixou 0,6%.

Núcleo da CPI

O núcleo do índice de preços ao consumidor do Japão (CPI, na sigla em inglês) caiu 0,4% em dezembro na comparação com o mesmo mês de 2009, informou o Ministério dos Assuntos Internos e Comunicações. Embora seja ligeiramente melhor do que a deflação de 0,5% prevista pelos economistas, o resultado marca o 22º declínio mensal consecutivo. O núcleo do índice, que exclui preços voláteis como os dos alimentos frescos, havia caído 0,5% em novembro.

A ligeira amenização das quedas de preço decorre do aumento dos preços da energia, o que, segundo os economistas, tem apenas o efeito de deprimir os gastos individuais no futuro. A elevação dos preços da energia e dos recursos naturais, se forem refletidos nos bens de consumo, "pode levar as pessoas a reduzir o consumo quando as circunstâncias que cercam as famílias já são severas", disse Atsushi Matsumoto, economista do Mizuho Research Institute.

Segundo Matsumoto, será difícil para o Japão sair da deflação no próximo ano fiscal, que começa em abril, a despeito de o governo do primeiro-ministro japonês, Naoto Kan, ter fixado esse prazo como meta.

Taxa de desemprego

A taxa de desemprego do Japão diminuiu para 4,9% em dezembro, de 5,1% no mês anterior. Apesar da queda, a relação entre vagas e candidatos, um dado acompanhado de perto, ficou inalterada em 0,57. Esse número, que significa haver apenas 57 vagas para cada 100 candidatos a emprego, mostra que as empresas ainda não aumentaram as contratações, a despeito do crescimento dos lucros.

"A taxa de desemprego mostrou alguma melhora, mas precisamos continuar muito cautelosos porque ela ainda está perto de 5%", disse um representante do Ministério dos Assuntos Internos e Comunicações.

Gastos das famílias

O gasto das famílias japonesas caiu 3,3% no mês passado, em comparação com dezembro de 2009, segundo o Ministério do Assuntos Internos e Comunicações. A queda foi consideravelmente pior do que a mediana das previsões de economistas consultados pelas agências Dow Jones e Nikkei, que era de 0,6%. Também foi bem maior do que o declínio de 0,4% registrado em novembro.

Em mais um sinal de que os consumidores continuaram hesitantes em gastar, as vendas no varejo caíram 2% em dezembro, na comparação com um ano antes, de acordo com o Ministério da Economia, Comércio e Indústria. A redução se deveu basicamente à forte queda nas vendas de automóveis, que diminuíram 24,1% na mesma comparação, um mês após o fim dos incentivos governamentais à compra de carros. As vendas dos grandes varejistas recuou 1,8% em relação a um ano antes, depois de um ajuste para a mudança no número de lojas.

Em conjunto, os dados são o sinal mais recente de que a economia do Japão terá de depender em grande parte da exportação para impulsionar o crescimento, uma vez que as condições permanecem deprimentes no âmbito doméstico. As informações são da Dow Jones.

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