Jatinho ? a arma para driblar o caos a?reo

Empresas elevam produtividade ao livrar seus executivos de v?os em companhias

Agencia Estado

18 de junho de 2007 | 09h38

V?os que decolam sem atraso, driblam congestionamentos do tr?fego a?reo e dispensam filas de check-in. No servi?o de bordo, sandu?ches, sucos e frutas. ? dessa forma que grandes grupos empresariais est?o economizando tempo e dinheiro. Ao adquirir cada vez mais jatos para aumentar a produtividade, livram seus executivos da inc?gnita que se tornou hoje em dia voar de avi?o de carreira, por conta das defici?ncias na infra-estrutura do setor.A Companhia Vale do Rio Doce, por exemplo, estuda adquirir um segundo jato para deslocar seus executivos para a regi?o Norte. L?, a mineradora tem diversos projetos em andamento, al?m da maior mina de min?rio de ferro a c?u aberto do mundo, Caraj?s, no Par?. A id?ia ? ampliar uma iniciativa bem sucedida no Sudeste, onde a empresa usa, desde agosto do ano passado, um turbo?lice Bras?lia, fabricado pela Embraer.Batizado de Aerovale, o avi?o tem capacidade para 30 passageiros e oferece aos funcion?rios seis v?os di?rios entre o Rio, Vit?ria e Belo Horizonte. Por m?s, s?o transportadas 3 mil pessoas, em m?dia. A taxa de ocupa??o da aeronave ? de 80%, acima da m?dia do setor a?reo no mercado dom?stico, de 69% em maio.O investimento no Aerovale foi de US$ 7 milh?es. S? de despesas de t?xi a mineradora passou a economizar R$ 300 mil mensais - apenas para efeito de compara??o, esse valor equivaleria a cerca de 2 mil passagens do Rio para S?o Paulo. Isso porque o jato da empresa pode decolar do Santos Dumont e pousar em Pampulha (Belo Horizonte), por exemplo, ao contr?rio de empresas de avia??o regular, cujas opera??es se concentram entre o Gale?o e Confins, distantes das regi?es centrais das capitais do Rio e de Minas Gerais."S? essa economia paga o avi?o em quatro anos. E j? recebemos uma oferta de at? US$ 8 milh?es pelo avi?o. Est? todo mundo de olho no Aerovale", diz o secret?rio-geral adjunto da mineradora, Arthur Xavier Ferreira. Segundo o executivo, outra vantagem de usar jatos executivos ? que eles podem fugir de congestionamentos do tr?fego a?reo porque voam em aerovias mais baixas do que os avi?es de grande porte. Al?m da Vale, grandes grupos como Votorantim, Banco Safra e Bradesco adquiriram aeronaves para uso de seus executivos.Problemas de infra-estruturaRepresentantes brasileiros dos principais fabricantes de jatos executivos testemunham que os problemas de infra-estrutura do setor a?reo est?o motivando as empresas a comprar jatos. De acordo com essas companhias, que n?o podem revelar nomes dos clientes, o bom movimento ? hist?rico no setor. Em alguns casos, o desempenho das vendas est? melhor neste primeiro semestre do que em todo o ano passado. A L?der T?xi A?reo, que representa marcas da Raytheon, j? vendeu 29 jatos este ano, ante 26 de 2006."Ao que tudo indica, vai ser um ano bom, impulsionado pelo caos na avia??o e no controle do espa?o a?reo", diz o diretor de vendas da L?der, Marcelo Marangon. O presidente da TAM T?xi A?reo, Rui Aquino, acrescenta como fatores positivos para a venda de jatos o crescimento econ?mico e o recuo da cota??o do d?lar em rela??o ao real. No ano passado, a representante da Cessna vendeu 33 jatos executivos. Este ano, Aquino estima que ser?o 45 unidades."Já há uma redução da oferta pelas empresas regulares. O apagão aéreo deixou a coisa bem mais difícil. Não tenho dúvida de que, agora, o empresário vê com mais simpatia a possibilidade de ter seu avião", diz o diretor-comercial da Ocean Air Táxi Aéreo, José Eduardo Brandão. A empresa representa a canadense Bombardier e os turboélices da Pilatus."Sem dúvida, as atuais condições da aviação comercial ajudam a aviação executiva", diz o diretor de vendas da Dassault na América do Sul, Rodrigo Pessoa. Este ano, a empresa deverá vender até 10 jatos modelo Falcon, ante nove no ano passado. São aviões que custam entre US$ 28 milhões e US$ 38 milhões e que podem voar de São Paulo a Miami sem escalas.Levantamento da Associação Brasileira de Aviação Geral (Abag) comprova que as companhias aéreas, em busca de rotas mais rentáveis, estão deixando de atender pequenas cidades. Dos 5.355 municípios brasileiros, apenas 96 contam com vôos regulares, estima o vice-presidente da entidade, Adalberto Febeliano.Segundo ele, há 15 mil aviões no País, sendo 1.500 aparelhos usados pela aviação executiva. Neste subgrupo, que inclui 550 helicópteros, uma curiosidade: há mais turboélices (600) do que jatos (350). Isso acontece porque os turboélices são mais apropriados para aeroportos com pistas não pavimentadas, a grande maioria no País, pois são usadas em cidades pequenas e médias.

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