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JBS compra negócio de carne suína da Cargill por US$ 1,45 bilhão

Essa é a segunda aquisição internacional da empresa brasileira, que é a maior produtora de carnes do mundo, em um período de 12 dias; com os dois negócios, a companhia da família Batista terá de desembolsar ao todo US$ 3 bilhões

Mônica Scaramuzzo, Naiana Oscar, O Estado de S. Paulo

01 Julho 2015 | 20h29

Atualizado às 21h55

Depois de afirmar aos investidores que concentraria sua expansão, em 2015, no crescimento orgânico, a JBS anunciou nesta quarta-feira mais uma aquisição global. A maior empresa de carnes do mundo desembolsou US$ 1,45 bilhão pela unidade de suínos da gigante Cargill nos Estados Unidos, a Cargill Pork. Com isso, em um espaço de apenas 12 dias, a JBS fez duas aquisições internacionais, que somam quase US$ 3 bilhões. No dia 20 de junho, a empresa da família Batista divulgou a compra da subsidiária irlandesa da Marfrig por US$ 1,5 bilhão

“Nossa expansão é realmente focada em crescimento orgânico, mas oportunidades (como Cargill Pork e Moy Park) aparecem e não podemos deixar escapar”, disse ao Estado, Wesley Batista, presidente global do grupo. Segundo ele, o JBS tinha sondado, há alguns anos, a Cargill para a compra dessa divisão de negócios. “Daí, fomos procurados há algumas semanas pela companhia, que decidiu negociar suas operações.”

Estão incluídas na operação duas fábricas de processamento de carne: uma em Ottumwa (Iowa) e outra em Beardstown (Illinois). Juntas elas processaram 9,5 milhões de suínos no ano passado. Também entraram no negócio cinco fábricas de ração em Missouri, Arkansas, Iowa e Texas; e quatro granjas de suínos em Arkansas, Oklahoma e Texas, todas nos EUA. “Essa operação está alinhada com a estratégia da JBS de longo prazo de crescimento em produtos com maior valor agregado, ampliando a base de clientes, tanto no mercado interno quanto em exportações”, disse a empresa em fato relevante.

Sinergia. Batista afirmou que essa aquisição tem total sinergia com os negócios do JBS nos EUA, a Pilgrim’s Pride. Já Cargill deixa a operação de suínos no mercado americano, com a venda do negócio para o grupo brasileiro, disse Batista.

A operação, que foi feita por meio da controlada indireta da JBS, a Swift Pork Company, está sujeita às aprovações das autoridades de defesa da concorrência dos Estados Unidos. 

O valor da aquisição é livre de dívidas, podendo ser ajustado no fechamento da operação, pela variação do capital de giro líquido e dos passivos de longo prazo da Cargill Pork. 

De acordo com Batista, a empresa pretende financiar essa aquisição com caixa próprio e emissão de dívida. “Vamos analisar as linhas de crédito que temos disponíveis.” A empresa não vai recorrer ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que é acionista do grupo, por meio do braço de participações, BNDESPar.

A expansão do grupo, segundo o empresário, deverá ser agora totalmente orgânica. “Vamos digerir as recentes aquisições.” Segundo ele, o JBS não tem intenção de fazer aquisições no Oriente Médio e na Ásia. “O mercado asiático é importante, mas não temos intenção agora.”

Independentemente do cenário macroeconômico desalentador no Brasil, Batista disse que o grupo vai manter investimentos no País. Os planos de abertura de capital da JBS Foods, contudo, estão suspensos, no momento.

“A empresa já tem uma planta de suínos nos EUA e por isso, em um primeiro momento, a avaliação é de que essa aquisição faz sentido para o grupo”, disse Luciana Carvalho, analista do Banco do Brasil. Segundo ela, o mercado aguarda os detalhes da operação, que serão informados hoje em uma teleconferência, para ter ideia do impacto que a nova compra terá no endividamento da companhia. “A empresa tinha afirmado que não faria novas aquisições. Isso não é problema desde que eles continuem entregando resultado e mantendo a rentabilidade.” 

Em relatório da semana passada, os analistas do BTG já haviam afirmado que alguns investidores poderiam ficar desapontados com a compra da Moy Park depois de os executivos da empresa afirmarem que o foco estava no crescimento orgânico. Já o Bank of America Merrill Lynch previu um impacto pequeno na alavancagem da JBS, após a compra da subsidiária da Marfrig, que deve ser concluída no fim do ano. De acordo com os cálculos do banco, esse indicador, que relaciona a dívida líquida e o Ebitda, passaria de 2,1 vezes para 2,4 vezes. Hoje, essas estimativas devem ser recalculadas com a compra da Cargill Pork. 

Expansão. O processo de internacionalização da JBS teve início em 2005, com a compra da Swift Armour na Argentina. Nos anos seguintes, a empresa fez pequenas aquisições até abrir o capital em 2007, quando impulsionou sua expansão global. Naquele ano, a empresa entrou no mercado americano com a aquisição da Swift Foods Company e mais tarde somou ao portfólio a Smithfield Beef e a Five Rivers, além do Tasman Group, na Austrália. Em 2009,a empresa brasileira comprou a americana Pilgrim’s Pride, que era a segunda maior produtora de frango dos EUA. 

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