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JBS investe R$ 45 milhões de olho no mercado chinês

Para a JBS como um todo, a expectativa é terminar 2018 com crescimento de 125% no embarque de carne bovina para o país asiático

O Estado de S.Paulo

08 Outubro 2018 | 12h13

A JBS acaba de investir R$ 45 milhões para dobrar a capacidade de dois frigoríficos em Minas Gerais para atender à demanda crescente da China. Desse total, a unidade de Ituiutaba recebeu R$ 27 milhões e a de Iturama, R$ 18 milhões. “Já atendíamos bem o mercado interno com essas plantas. Agora, com exportações para a China, iniciamos um segundo turno de operações”, conta Renato Costa, presidente da JBS Carnes. Ele não revela o volume produzido, mas destaca que os chineses representam 40% dos embarques a partir das duas fábricas mineiras. Para a JBS como um todo, a expectativa é terminar 2018 com crescimento de 125% no embarque de carne bovina para o país asiático. As reformas incluem modernização de equipamentos e um projeto que visa melhorar o fluxo dos processos industriais e, consequentemente, a produtividade.

Vem por aí. Outras quatro unidades de abate da JBS estão habilitadas a exportar carne bovina à China: Lins (SP), Andradina (SP), Mozarlândia (GO) e Barra do Garças (MT). Renato Costa conta que investimentos estão sendo feitos nas plantas goiana e mato-grossense, também com vistas ao mercado externo. “Estamos ampliando a capacidade de congelamento, estocagem e produção”, diz.

Voo solo. No setor de carne bovina em geral não se veem grandes aportes de recursos em ampliação da capacidade industrial, diz Guilherme Bellotti, analista sênior de Agronegócio do Itaú BBA. “O que notamos são investimentos da porteira para dentro.” Pecuaristas vêm gastando mais com melhoramento genético, manejo de pastagens e adoção do sistema integração lavoura-pecuária (ILP). “Isso tem se traduzido em aumentos razoáveis de produtividade.” 

De olho. Dias depois de divulgar uma análise sobre usinas de etanol de milho, o Rabobank observou forte interesse de produtores no assunto: 40 quiseram participar de teleconferência sobre o tema, no fim de setembro. Pelos cálculos do Rabobank, a receita obtida com 1 hectare de milho poderia ser 90% maior com a venda do grão combinada com a de etanol e coprodutos do combustível. “Quando a cotação do grão estiver baixa, o produtor pode usar a capacidade máxima da usina para produzir etanol; quando o milho estiver com preço bom, opta pela venda do grão”, explica Victor Ikeda, analista de grãos do Rabobank. 

Menos cana. A Usimat, principal usina de Mato Grosso a produzir etanol com cana-de-açúcar ou milho, pretende priorizar, aos poucos, o cereal no processamento, por questões econômicas e operacionais. Ao mesmo tempo, a companhia trocará lavouras de cana pelas de eucalipto, cuja madeira será utilizada para a geração de energia elétrica na unidade térmica, em substituição ao bagaço. 

Fichas. O Grupo São Martinho aposta em soluções digitais para triplicar a produção dos canaviais até 2020 – hoje, há capacidade para moer até 24 milhões de toneladas de cana por ano. A empresa acaba de comprar 1.700 computadores de bordo da Hexagon, líder global em soluções de tecnologia da informação, que serão instalados em todas as máquinas agrícolas do grupo e substituir os sistemas anteriores. Com eles, o São Martinho adotará novos recursos de agricultura de precisão nas operações de campo. “O principal desafio tecnológico da companhia é otimizar os processos para reduzir perdas”, explica Walter Maccheroni Junior, assessor de Tecnologia da São Martinho. 

(Con)Fusão. Ministro da Agricultura e um dos maiores empresários rurais do País, Blairo Maggi discorda da ideia de Jair Bolsonaro (PSL) de fundir os ministérios da Agricultura e do Meio Ambiente, proposta do candidato que trouxe o apoio de ruralistas à sua campanha. A assessores, Maggi avaliou que as agendas das Pastas são diferentes e precisam de diálogo, mas não em ministério único.

Mais aquecido. As vendas de consórcios do Banco do Brasil para tratores e caminhões utilizados na agropecuária atingiram R$ 307 milhões nos oito primeiros meses do ano, alta de 28,5% ante igual período de 2017. O setor é apontado pela instituição como um dos destaques nesse modelo de aquisição de veículos. As vendas totais de consórcios do BB, na mesma base de comparação, avançaram menos, ou 21%, para R$ 7 bilhões.

Luz no túnel. A saga dos atoleiros na BR-163, principal via de transporte de grãos do Centro-Oeste ao Pará, pode estar próxima do fim. Os 38 quilômetros sob responsabilidade do Exército com pavimentação inicialmente prevista para 2019 já passaram por obras de terraplanagem e drenagem, diz Edeon Vaz Ferreira, diretor executivo do Movimento Pró Logística, da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja). Eles estão no conhecido “Trecho Moraes Almeida”, em Itaituba (PA). “O que vai ficar para o ano que vem não trará problema de trafegabilidade”, afirma. 

São Pedro. Ferreira acredita que os outros 37 quilômetros sem asfalto, entre os distritos de Bela Vista do Caracol, no município de Trairão (PA), e de Santa Rita, em Itaituba, serão pavimentados ainda em 2018 pela empresa encarregada da obra, a Agrienge. “Vai depender da chuva”, enfatiza. 

 

COLABOROU NAYARA FIGUEIREDO

 

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