JBS, Marfrig e Cargill têm maior fatia da Cota Hilton na Argentina

Juntas, as companhias receberam autorização para exportar 9.106 toneladas de carne bovina, 32,5% da cota anual do país

Marina Guimarães, da Agência Estado,

19 de abril de 2010 | 12h58

As maiores fatias da cota argentina de exportação de carne bovina tipo premium com tarifa especial para a União Europeia foram abocanhadas pelos grupos frigoríficos brasileiros JBS (Swift, ColCar e Consignaciones Rurales) e Marfrig (Quickfood, AB&P, Estancias del Sur e Best Beef) e pela indústria americana Cargill (Finexcor e Friar). O JBS-Friboi, maior produtor de carne bovina do mundo, ganhou permissão para embarcar 3 mil toneladas dentro da cota Hilton até 30 de junho, de acordo com informações publicadas no Diário Oficial da Argentina. O Marfrig poderá exportar um pouco mais: 3.122 toneladas. O terceiro lugar ficou para a Cargill, com 2.984 toneladas.

 

A distribuição das 28 mil toneladas a que a Argentina tem direito na cota Hilton foi realizada na última sexta-feira. Segundo informações do organismo que regula o comércio agropecuário da Argentina, Oncca, no atual período, iniciado em julho de 2009 e que termina em junho próximo, JBS, Marfrig e Cargill receberam autorização para exportar 9.106 toneladas. O volume representa 32,5% da cota anual do país.

 

No período anterior, de julho/2008 a junho/2009, os três grupos ficaram com um volume menor que o atual, mas também concentraram a maior parte das permissões de embarque: 8.669,3 toneladas. Na comparação entre os dois períodos, o JBS ficou com volume 34% superior ao ciclo anterior, de 2.239,13 toneladas, enquanto que o Marfrig perdeu quase 17%, já que exportou 3.755,46 toneladas. Cargill se manteve praticamente estável.

 

A Argentina é o terceiro maior país produtor de carne bovina do mundo, e o primeiro em consumo per capita, com cerca de 60 quilos anuais. O país possui aproximadamente 50% da cota total de 58 mil toneladas que foi dividida entre o Brasil, Canadá, Estados Unidos, Paraguai, Uruguai, Nova Zelândia e Austrália.

 

Tanto o Brasil quanto a Argentina têm dificuldades para cumprir a cota nesse ano. O Brasil, por causa das restrições que enfrenta da UE por conta de casos de febre aftosa registrados no fim de 2005, e a Argentina, devido ao atraso, por parte do governo, na divisão da cota entre os frigoríficos. Muitas empresas têm problemas para cumprir a cota, conforme alertou um grupo de frigoríficos à Oncca, alegando que não há tempo suficiente para embarcar o volume total até junho - o país já exportou 9 mil t e tem ainda 19 mil t a embarcar. Contudo, o diretor de Relações Institucionais do grupo Marfrig, que tem a maior cota, Miguel Gorelick, afirmou à AE que a empresa "está trabalhando para cumprir" o prazo.

 

Atraso

 

A distribuição oficial da cota Hilton sofreu um atraso de 10 meses devido a mudanças feitas pelo governo argentino, que foram questionadas na justiça. Em meados do ano passado, o governo mudou a forma de repartir a cota entre os frigoríficos exportadores, o gerou polêmica e protestos. Nesse período, as exportações argentinas de carne bovina foram autorizadas a conta-gotas e sem um critério equânime porque as novas normas não haviam sido regulamentadas.

 

Em janeiro, o presidente da Câmara da Indústria e Comércio de Carnes da República Argentina (Ciccra), Miguel Schiariti, entrou com uma ação legal para suspender a divisão, considerada por ele discriminatória. Depois de várias idas e vindas, a resolução da Oncca regulamentou a norma, dividiu a cota e, agora, os exportadores têm menos de dois meses para exportar cerca de 19.000 toneladas. "Me parece impossível que possamos cumprir a cota, faltando seis semanas para que vença o ciclo 2009/2010", disse Schiariti à imprensa local.

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