Helvio Romero/Estadão
Helvio Romero/Estadão

JBS reverte lucro e registra prejuízo de R$ 2,7 bi no 1º trimestre

Resultado foi impactado, segundo a empresa, por operações de proteção cambial; Henrique Meirelles preside conselho da controladora da JBS

Marcelle Gutierrez, O Estado de S.Paulo

12 de maio de 2016 | 09h10

SÃO PAULO - A JBS, a maior empresa de proteína animal do mundo e dona da Friboi, reverteu o lucro do primeiro trimestre de 2015 e registrou prejuízo de R$ 2,741 bilhões ao final do primeiro trimestre de 2016. O resultado foi impactado, segundo a empresa, no informe de resultados enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), por operações de proteção cambial.

Henrique Meirelles, que deve assumir o Ministério da Fazenda na gestão de Michel Temer, preside o Conselho Consultivo da J&F, controladora da JBS. Caso ele assuma a Pasta, deve deixar o cargo.

O Ebitda (Lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado recuou 22,5% de janeiro a março de 2016 ante igual intervalo do ano passado, para R$ 2,137 bilhões. A margem Ebitda ficou em 4,9%. Segundo o informe de resultados, o Ebitda foi impactado pela redução de 35,8% do Ebitda da PPC e pelo resultado negativo da JBS USA Carne Bovina.

De janeiro a março deste ano, a receita líquida totalizou R$ 43,911 bilhões, um avanço de 29,8% em relação ao mesmo período do ano passado.

No primeiro trimestre deste ano, a JBS registrou uma despesa financeira líquida de R$ 4,765 bilhões. A receita de variações cambiais ativas e passivas foi de R$ 1,854 bilhão, enquanto que o resultado financeiro com derivativos, que inclui as despesas relacionadas à proteção da variação de moedas, foi de R$ 5,823 bilhões.

Operações cambiais. O CEO global do JBS, Wesley Batista, afirmou, em teleconferência com investidores, que a companhia deixou vender 50 contratos de derivativos cambiais no fim de março, no valor de US$ 2,5 bilhões em posições cambiais. No primeiro trimestre deste ano, a JBS registrou uma despesa financeira líquida de R$ 4,765 bilhões, com resultado financeiro com derivativos, que inclui as despesas relacionadas à proteção da variação de moedas, de R$ 5,823 bilhões.

De acordo com o CEO, a moeda brasileira continua em trajetória de fortalecimento e, por isso, a companhia está "reduzindo de forma substancial seu hedge". Batista defendeu que a JBS "tem estratégia de ter estrutura ativa nas posições cambiais, no sentido de não ficar à deriva do mercado". Segundo ele, a companhia passou a fazer a estratégia de hedge a partir do fim de 2014, e, nos últimos cinco trimestres, a proteção cambial foi eficaz.

Segundo informou a empresa em informe de resultados, nos últimos cinco trimestres as oscilações cambiais teriam resultado negativo de R$ 7,37 bilhões se não houvesse a estratégia de hedge. Com a proteção cambial, contudo, a empresa registrou um resultado negativo bem menor, de R$ 2,59 bilhões, considerando os ganhos de R$ 4,78 bilhões. 

A JBS tem experiência no mercado de derivativo cambial. Somente no ano passado, a empresa ganhou mais de R$ 10 bilhões fazendo operações no mercado de dólar. Mas a posição que assumiu no ano passado trará fortes prejuízos neste ano, caso não mude suas apostas.

Segundo relatório do banco Credit Suisse, no final de 2015 as posições em derivativos de dólar da JBS eram de US$ 12 bilhões. Como o dólar caiu de R$ 3,90 para R$ 3,56, caso tenha mantido a posição, somente no primeiro trimestre teria perdido R$ 5,1 bilhões - número que não se confirmou, segundo o balanço publicado nesta quinta-feira. Se, no segundo trimestre, o dólar cair mais 10%, terá mais R$ 5,1 bilhões em perdas, segundo o banco.

De acordo com informação de algumas corretoras, a JBS foi uma das principais companhias que fez operações no mercado de câmbio no mês de abril para desmontar a posição. Procurada, a empresa disse que não comenta boatos de mercado. (Com informações de Daniela Frabasile e Josette Goulart) 

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