JF DIORIO / ESTADÃO CONTEÚDO
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JBS reverte prejuízo e registra lucro líquido de R$ 422,3 milhões

Resultado referente ao primeiro trimestre do ano foi impulsionado pelas operações internacionais da empresa

Camila Turtelli, Broadcast

15 de maio de 2017 | 20h43

SÃO PAULO - A JBS registrou lucro líquido de R$ 422,3 milhões ao final do primeiro trimestre de 2017, revertendo um prejuízo de R$ 2,741 bilhões apontado no primeiro trimestre do ano passado. O resultado foi impulsionado pelas operações internacionais da empresa, segundo a JBS.

"Nossas operações na América do Sul, por sua vez, continuaram enfrentando um cenário desafiador, principalmente em função da forte valorização do real frente ao dólar americano", afirmou em nota o CEO da JBS, Wesley Batista. Segundo ele, a moeda norte-americana passou de R$ 3,91 no primeiro trimestre de 2016 para R$ 3,14, impactando a rentabilidade das exportações a partir do Brasil.

O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado ficou praticamente estável de janeiro a março de 2017 ante igual intervalo do ano passado, para R$ 2,14 bilhões, ante R$ 2,137 bilhões. A margem Ebitda passou de 4,9%, para 5,7%, na mesma base de comparação.

De janeiro a março deste ano, a receita líquida totalizou R$ 37,6 bilhões, uma queda de 14,3% em relação ao igual período do ano passado, quando a empresa registrou R$ 43,911 bilhões.

No primeiro trimestre deste ano, a JBS registrou uma despesa financeira líquida de R$ 410,8 milhões. O resultado de variações cambiais e do ajuste a valor justo de derivativos foi de R$ 441,1 milhões. Os juros passivos foram de R$ 909,3 milhões, enquanto que os juros ativos foram de R$ 73,2 milhões. Impostos, contribuições, tarifas e outros resultaram em uma despesa de R$ 15,8 milhões.

A alavancagem da JBS ficou em 4,2 vezes no fim de março, ante o registrado no fim de 2016 de 4,16 vezes. A JBS encerrou o primeiro trimestre com uma dívida líquida de R$ 47,806 bilhões. A porcentagem da dívida de curto prazo em relação à dívida total ficou em 31% no período, dos quais 74% são linhas lastreadas às exportações das unidades brasileiras. Ao final do período, 92,2% da dívida era denominada em dólares.

Exportações.  As exportações consolidadas da JBS caíram 0,21% no primeiro trimestre de 2017 em relação ao mesmo período do ano passado. A companhia reportou vendas que somaram US$ 3,252 bilhões, ante faturamento de US$ 3,258 bilhões entre janeiro e março de 2016.

O resultado corresponde a cerca de 26% das vendas globais da companhia no período, levemente abaixo dos 28% registrados nos três primeiros meses de 2016. Aproximadamente 74% das vendas globais da JBS foram realizadas nos mercados domésticos em que a companhia atua.

A China continental e Hong Kong continuam a ser os maiores importadores de carnes da JBS e mantiveram sua participação em 20,6%, ante 20,4% no primeiro trimestre de 2016. Na segunda colocação ficaram África e Oriente Médio (13,5%) e, em terceiro, Japão (11,5%). Os Estados Unidos, na quarta posição, reduziu sua participação de 10%, para 8,4%. A participação de outros destinos foi elevada de 8,8% para 12,1%. As porcentagens referem-se às receitas obtidas com exportação, e não volumes embarcados.

Operação Bullish.  Na última sexta-feira, 12, a Polícia Federal divulgou a operação intitulada Bullish, que investiga supostas irregularidades no repasse de R$ 8,1 bilhões do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) à JBS.  A companhia informou que não teve acesso aos autos da medida cautelar em decorrência da Operação Bullish, "e tão logo o tenha, adotará as medidas pertinentes". 

"A companhia informa que ela e seus executivos estão prestando voluntariamente informações sobre o objeto da investigação e, reiteradamente, têm se colocado a disposição das autoridades competentes para os esclarecimentos necessários", afirma. "Não obstante, como medida cautelar, foi determinado 'aos controladores que não promovam qualquer mudança estrutural nas empresas existentes'", completa a JBS.

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