Epitácio Pessoa/ Estadão - 13/12/2019
Epitácio Pessoa/ Estadão - 13/12/2019

JHSF e aeroporto de Congonhas abrem disputa por setor de aviação executiva

Aeroporto Catarina, da JHSF, recebeu autorização para operar voos executivos internacionais, mas terminal de São Paulo, atualmente em obras, deve voltar ao setor em outubro

André Jankavski e Luciana Dyniewicz, O Estado de S.Paulo

25 de junho de 2021 | 05h00

Os donos de jatos próprios ou aqueles que preferem os aviões executivos aos comerciais terão mais opções para voar para fora do Brasil. Na quinta-feira, 24, a JHSF recebeu a autorização para que o seu aeroporto Catarina, exclusivo para aviões executivos, possa operar voos internacionais. O aeroporto de Congonhas também voltará a realizar esse tipo de voo ainda neste ano, o que pode ajudar na retomada do setor no País. 

Segundo Thiago Alonso de Oliveira, presidente da JHSF, trata-se de um marco para a companhia, que viu suas ações subirem 6% após a divulgação do acordo. “A cidade de São Paulo estava muito defasada em não ter um aeroporto exclusivo para a aviação executiva. Cidades menos populosas, como Miami, já têm espaços assim há muito tempo”, afirma Oliveira.

Porém, a JHSF deve logo ter um concorrente de peso. O aeroporto de Congonhas está fazendo adequações no seu espaço de aviação executiva e deve voltar a operar voos internacionais em outubro, após terem sidos suspensos em 1980. A Infraero começou, neste mês, as obras no terminal, que demandarão R$ 2,5 milhões. 

A adequação do aeroporto era uma demanda antiga do setor. Hoje, voos executivos internacionais com saída ou chegada no Estado de São Paulo precisam ser feitos ou pelo aeroporto de Viracopos, em Campinas, ou por Guarulhos. Nenhum deles têm instalações separadas para a aviação executiva. Congonhas, por outro lado, tem salas de atendimento “vip” para esses clientes. As principais empresas de aviação executiva do País têm hangares no aeroporto e cerca de 150 aeronaves ficam baseadas lá.

A TAM Aviação Executiva projeta que seu volume de atendimento possa aumentar em 20% com a realização de voos internacionais partindo de Congonhas. Isso porque a empresa tem sua maior estrutura no local – só de hangares, são seis. “Hoje, quando vem um voo dos Estados Unidos, por exemplo, tem de entrar por Manaus para depois pousar aqui. O avião poderia ir direto porque tem capacidade para isso”, diz Leonardo Fiuza, presidente da companhia.

A diretora de atendimento aeroportuário da Líder Aviação, Cynthia Oliveira, destaca que o novo serviço do aeroporto deve facilitar a operação das empresas, além de agradar os passageiros. Hoje, as aeronaves da companhia que fazem voos intercontinentais já ficam em Congonhas. Quando viajavam para a Europa, precisavam parar em Guarulhos, Brasília, Recife ou Fortaleza antes de deixar o País. 

“A aviação executiva é muito focada em negócios, e o aeroporto de Congonhas é muito conveniente por ser próximo ao centro financeiro da cidade”, diz Cynthia. Entre os principais clientes de viagens internacionais da empresa estão multinacionais cujos escritórios no Brasil também ficam perto do aeroporto.

Na avaliação de Fiuza, da TAM, a operação executiva internacional no aeroporto também deve favorecer a recuperação do segmento, que também sofre com a crise decorrente da pandemia. Hoje, a operação da TAM corresponde a 70% do registrado antes da pandemia. No pior momento, porém, esse número chegou a 30%.

A queda na demanda foi verificada por todas as empresas do setor. Em 2019, os 34 principais aeroportos executivos do País registraram 337 mil movimentações de jatos executivos. No ano passado, foram 280 mil pousos e decolagens.

Segundo o diretor executivo da Associação Brasileira de Aviação Geral (Abag), Flávio Pires, as movimentações internacionais variavam entre 18 mil e 24 mil por ano antes da pandemia. Agora, porém, praticamente desapareceram. Algo que pode mudar com a entrada dos dois aeroportos em operação com voos internacionais.

Catarina no páreo

A aviação executiva no aeroporto de Congonhas terá a concorrência dos aviões comerciais. Por isso, para o consultor André Castellini, sócio da Bain & Company, a prioridade à aviação comercial em Congonhas pode acabar prejudicando os voos executivos por lá, que poderão enfrentar filas. “O avião pode ir até a cabeceira da pista e ter de esperar 45 minutos para decolar. Isso é caro para um avião.”

A alta demanda futura é o que tranquiliza o executivo da JHSF, assim como a distância entre os dois lugares. O aeroporto Catarina fica na cidade de São Roque, a cerca de 70 km da capital paulista. De automóvel, uma pessoa leva uma hora para chegar até o local considerando o trânsito de São Paulo. Porém, a maior parte dos clientes, segundo Oliveira, vai de helicóptero, uma viagem de 15 minutos. 

O aeroporto representa menos de 2% do faturamento total da JHSF, mas tem um crescimento acelerado. No primeiro trimestre deste ano, a receita do espaço foi de R$ 7 milhões, alta de 270% em relação ao primeiro trimestre de 2020.  Não por acaso, após investir R$ 700 milhões na construção do aeroporto, a JHSF já começa a enxergar possibilidades de expansão, mas sem definir quando e como. “Temos um espaço de 200 mil m² e estamos atentos às demandas e a expansão do aeroporto, mas sempre equilibrando o retorno do investimento”, afirma Oliveira.

Apesar de ser um ativo ainda não tão relevante no balanço da incorporadora, o anúncio fez as ações da companhia saltarem 6% no pregão de quinta. Faz sentido? Na visão de Anderson Menezes, CEO da casa de análises Alkin Research, não muito. Porém, ele recomenda as compras das ações da empresa, que mostrou resultados fortes no primeiro trimestre, apesar das ações continuarem andando de lado. 

“A retomada da economia deve ajudar nos ganhos nos hotéis e shoppings da empresa, que tem o aeroporto como mais um serviço para oferecer para os clientes de alta renda. É importante eles estarem em todas as frentes”, diz Menezes.

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