Johnson & Johnson é condenada a pagar US$ 5 bi por talco com amianto

Johnson & Johnson é condenada a pagar US$ 5 bi por talco com amianto

Produto de multinacional farmacêutica teria causado câncer de ovário em 22 mulheres dos Estados Unidos; processo correu por seis semanas em júri popular, mas ainda cabe recurso

The New York Times

13 Julho 2018 | 19h35

A gigante dos bens de consumo Johnson & Johnson foi condenada a pagar US$ 4,7 bilhões a 22 mulheres e suas famílias sob a acusação de que o talco fabricado pela companhia contém amianto e levou as usuárias a desenvolver câncer de ovário. O processo correu por seis semanas em júri popular nos Estados Unidos, mas ainda cabe recurso.

Um júri do Estado de Missouri aplicou multa de US$ 4,14 bilhões à companhia e determinou o pagamento de US$ 550 milhões para compensar os danos causados às vítimas. As mulheres que abriram a ação conjunta afirmaram que a companhia não informava sobre os riscos de câncer associados ao seu talco de bebê e de corpo. 

+ STF proíbe extração e venda do amianto crisotila no País

A fabricante afirmou estar "profundamente desapontada" com o veredicto e informou que pretende recorrer da decisão. A empresa está enfrentando processos de mais de 9 mil pessoas relativos ao seu talco, de acordo com documentos regulatórios revelados no último mês de abril. 

+ Eternit entra com pedido de recuperação judicial

Após um julgamento que durou seis semanas, o júri deliberou sobre as multas para a companhia. No entanto, a decisão sobre a compensação de danos às mulheres foi determinada em apenas 45 minutos, disse Mark Lanier, um dos advogados das requerentes. 

Seis das mulheres que entraram com o processo morreram - quase todas as demais estiveram no fórum na última quinta-feira, ao lado de  parentes e amigos, para ouvir a sentença. Segundo Lanier, uma das autoras da ação está passando por quimioterapia e estava doente demais para comparecer.

De acordo com o advogado, a J&J vem tentando esconder evidência de presença de amianto em seus produtos à base de talco por mais de 40 anos. Ele defende que a companhia passe a informar esse problema no rótulo ou passe a fabricar seus produtos à base de amido de milho. A multa à companhia está entre as maiores já aplicadas por um júri americano em um caso deste tipo, frisou Lanier.

A J&J, no entanto, classificou o veredicto como "o produto de um processo fundamentalmente injusto". A companhia disse "continuar confiante" de que seus produtos não contêm amianto e não causam câncer.

Confira a nota da empresa na íntegra

A Johnson & Johnson informa que está profundamente desapontada com o recente veredito do julgamento em St. Louis, no Missouri, Estados Unidos. Reafirmamos com confiança que nossos produtos de talco não contêm amianto e não causam câncer de ovário e pretendemos buscar todos os recursos de apelação disponíveis. Até hoje, as decisões sobre talco contrárias à Johnson & Johnson neste tribunal das quais recorremos foram revertidas. Em relação ao Brasil, informamos que não há processos judiciais associados a este assunto. O produto comercializado no país é produzido localmente e também não contém amianto nem causa câncer de ovário.

A Ovacome, organização britânica especializada em câncer nos ovários, pontua que a mais provável causa para o desenvolvimento de câncer nos ovários é uma série de fatores hereditários e ambientais, em vez de apenas por causa do uso de talco. Em um artigo publicado em sua página na internet, a organização diz que ainda não evidências o suficiente que liguem exclusivamente o uso de talco ao aparecimento de câncer nos ovários.

"Se uma mulher tem câncer de ovário e usou talco, parece improvável que o uso do produto tenha sido o único motivo pelo qual ela desenvolveu a doença. Mais estudos serão necessários para descobrir exatamente se o talco causa ou não câncer de ovário", conclui o artigo.

Mais conteúdo sobre:
Johnson & Johnson Justiça amianto

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.