J.P. Morgan negocia a compra do Gávea

Gestora de fundos do banco americano está perto de fechar aquisição da empresa criada por Armínio Fraga 

O Estado de S. Paulo,

19 de maio de 2010 | 08h32

A Gávea Investimentos, fundo do ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga, está em negociações avançadas para venda do controle acionário da empresa para a Highbridge Capital Management, gestora de fundos alternativos do banco J.P. Morgan Chase. Segundo o Estado apurou, o negócio pode ser fechado em junho.

Em fevereiro deste ano, o jornal Valor Econômico noticiou que os fundos estudavam uma associação. O jornal voltou ao assunto na edição de ontem. Segundo a publicação, a Highbridge pode comprar 100% do capital da Gávea. Nos primeiros três a cinco anos, os atuais sócios da Gávea, incluindo Fraga, permaneceriam à frente do negócio, o mesmo modelo usado na compra da Highbridge pelo banco J.P. Morgan, seis anos atrás. Na ocasião, o J.P. Morgan pagou US$ 1 bilhão pelo controle do fundo americano.

Investimentos

O relacionamento entre o ex-presidente do Banco Central e o J.P. Morgan é antigo. Fraga é membro do conselho internacional do banco desde 2004. O Gávea foi fundado em 2003, depois que o economista deixou o governo - ele presidiu o BC na gestão Fernando Henrique Cardoso. Em 2007, o fundo de investimentos da Universidade Harvard comprou 12,5% da gestora de recursos. Com um patrimônio de R$ 10 bilhões sob gestão e 106 funcionários nos escritórios do Rio de Janeiro e São Paulo, o Gávea atua em três áreas: fundos de hedge, gestão de patrimônio e private equity (compra de participação em empresas).

Parceria

Em setembro do ano passado, Gávea e a Arsenal Investimentos anunciaram a associação das suas áreas de gestão de patrimônio. Na área de private equity, o fundo tem sido atuante. Na semana passada, comprou 14,5% da Odebrecht Realizações Imobiliárias (OR), voltada para a baixa renda. O valor do negócio não foi divulgado.

O fundo de Fraga já investiu em empresas dos mais diversos setores, como Droga Raia (rede de drogarias), RBS e Grupo ABC (mídia), CPM Braxis (tecnologia), BRA (aviação) e McDonald"s (alimentação).

A BRA, adquirida pela Gávea em dezembro de 2006 juntamente com outros seis bancos e fundos internacionais, é tida pelo mercado como um de seus piores investimentos. A Gávea e os demais bancos e fundos pagaram R$ 180 milhões por uma participação na BRA. A empresa entrou com um pedido de recuperação judicial em 2007, logo depois do aporte dos fundos.

O fundo também comprou participação relevante em empresas de capital aberto, como Lojas Americanas e Cosan.

A Highbridge tem sede em Nova York e escritórios em Londres, Hong Kong e Tóquio. A empresa, fundada em 1992, tem um perfil semelhante ao do Gávea. É dona de uma plataforma de investimentos que inclui de fundos de hedge a private equity. A companhia tem cerca de US$ 21 bilhões sob gestão e, entre os clientes, estão investidores institucionais, fundos de pensão, fundações e administradoras de fortunas de família.



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