J.R. Barros: Fed pode não cortar juro em dezembro

Sócio-diretor da MB acha que ata da última reunião serviu para aumentar incertezas sobre economia americana

Luciana Xavier e Cristina Canas,

21 de novembro de 2007 | 15h37

A ata da última reunião do Comitê de Mercado Aberto do Federal Reserve serviu para aumentar as incertezas em relação à economia americana e seu próximo passo na política monetária no encontro de dezembro. A avaliação é do sócio-diretor da MB Associados José Roberto Mendonça de Barros. "É uma decisão difícil. Olhando a ata, está escrito com todas as letras que o Fed deve fazer uma pausa. Mas, se olharmos o que acontece na economia, dá para pensar que há espaço para o Fed baixar os juros", disse Barros, em entrevista ao AE Broadcast Ao Vivo.  Ouça entrevista com José Roberto Mendonça de Barros Segundo ele, se o Fed optar por mais um corte da taxa dos Fed Funds de 0,25 ponto porcentual em dezembro, certamente fará uma longa pausa depois. Após dois cortes consecutivos, os juros americanos caíram para os atuais 4,50%. Para Barros, o temor de uma desaceleração mais acentuada da economia dos Estados Unidos cresceu depois da reunião de outubro e um cenário de recessão também não pode ser descartado. O economista, no entanto, espera um crescimento de 1,5% da economia americana no ano que vem. Já o Fed reduziu sua expectativa de PIB entre 2,5% e 2,75% em 2008, para um intervalo de 1,8% e 2,5%. Barros disse ainda que a disparada do petróleo pode ofuscar a ação do Fed para resgatar o crescimento da economia com relaxamento monetário. Segundo ele, a alta da commodity atualmente "é problemática" para os EUA. "A preocupação adicional é que a perspectiva de expansão da oferta está muito modesta", ressaltou. Por outro lado, Barros acredita que o crescimento vigoroso da China pode, em certa medida, compensar uma desaceleração mais forte nos EUA, desde que o país não mergulhe em recessão. Ele lembrou que a China está redirecionando parte de suas exportações para a Europa. "Para a China manter seu superávit (comercial), a Europa vai ter que absorver as exportações chinesas", comentou. Segundo Barros, a economia mundial está sobre "um gelo fino", com expectativa de crescimento bem menor dos EUA em 2008 e crescimento de 2% ou menos da Europa. Já a Ásia, frisou, pode crescer menos, mas deve manter o PIB em dois dígitos no ano que vem. Balança Barros disse que o saldo da balança comercial brasileira "deve cair pesado" no ano que vem. Ele espera superávit comercial de US$ 32 bilhões, com viés de baixa ante os US$ 40,5 bilhões estimados para este ano. Para 2009, a expectativa é de que o saldo das contas do comércio exterior nacional seja ainda menor, ficando abaixo de US$ 20 bilhões. "Nós entramos em outra circunstância, em que as exportações estão de fato desacelerando. Até porque com essa performance exuberante do mercado interno, as empresas estão redirecionando as vendas para o mercado doméstico, que está pagando melhor que o mercado internacional dada a contínua valorização do real", explicou Barros. Segundo ele, essa redução forte da balança comercial pode dar um piso para o dólar. Barros acredita que, por enquanto, a tendência para a moeda americana seja de queda, mas deve mudar no ano que vem. "O dólar vai começar 2008 olhando para baixo e terminar olhando para cima. E 2009 será o fim da longa trajetória de queda do dólar", disse. A projeção da MB é de dólar em R$ 1,85 ao final de 2008. "Até lá, o dólar vai cair abaixo de R$ 1,70", disse. Barros justificou que o dólar só não caiu para esse patamar ainda por causa da turbulência externa, mas bastarão uns três dias de calma nos mercados para que ele chegue a R$ 1,70. O diretor disse que o governo nada pode fazer para mudar o atual cenário de valorização do real. "Não acredito em nenhuma grande medida que possa alterar a tendência do dólar", afirmou. "E o controle de capital também já demonstrou que não tem muito efeito", analisou. Commodities Barros disse ainda que os preços das commodities agrícolas, cuja alta tem compensado as perdas do dólar, devem ser menores em 2008. Ele estima que o dólar também comece a inverter sua tendência de queda a partir do segundo semestre do ano que vem, encerrando em R$ 1,85. Para este ano, a expectativa é de que a moeda fique abaixo de R$ 1,70. Barros afirmou, no entanto, que os preços não voltarão mais aos patamares observados há dois, três anos. "O nível de consumo mundial aumentou e o volume de produção de biocombustíveis também aumentou", explicou. 

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