Juro alto garante queda da inflação em 2014, diz Banco Central

Ata do Copom alerta que a alta de preços em 12 meses ainda representa risco para economia

Renata Veríssimo, Eduardo Cucolo e Célia Froufe, da Agência Estado,

06 de junho de 2013 | 08h43

BRASÍLIA - A ata da reunião da semana passada do Comitê de Política Monetária (Copom), divulgada há pouco pelo Banco Central, reitera que, em momentos como o atual, a política monetária deve se manter especialmente vigilante, de modo a minimizar riscos de que níveis elevados de inflação, como o observado nos últimos 12 meses, persistam no horizonte relevante para a política monetária.

Segundo o documento, o Copom avalia que, no curto prazo, a inflação em 12 meses ainda apresenta tendência de elevação e que o balanço de riscos para o cenário prospectivo se apresenta desfavorável.

Na última reunião na semana passada, dando prosseguimento ao ajuste da taxa básica de juros, o Copom decidiu, por unanimidade, elevar a taxa Selic para 8,00% ao ano, sem viés. O Comitê avalia que essa decisão contribuirá para colocar a inflação em declínio e assegurar que essa tendência persista no próximo ano.

A ata repetiu a avaliação apresentada no documento anterior de que a inflação de serviços segue em níveis elevados. Os diretores do BC citam que, em 12 meses, esse conjunto de preços aumentou 8,13% - estava em 8,00% até abril de 2012.

O Comitê destacou também as pressões verificadas no segmento de alimentos e bebidas. "Em síntese, a inflação de serviços segue em níveis elevados, e observam-se pressões no segmento de alimentos e bebidas", trouxe o documento.

Ainda sobre inflação, a ata lembra que o IPCA foi de 0,55% em abril, 0,09 ponto percentual abaixo da taxa registrada em abril do ano passado. Com isso, de acordo com o documento, a inflação acumulada em doze meses atingiu 6,49% em abril (5,10% até abril de 2012).

Os preços livres variaram 8,09% em doze meses (5,63% até abril de 2012), e os preços administrados, 1,55% (3,73% até abril de 2012). Entre os preços livres, os dos bens comercializáveis aumentaram 6,57%, e os dos bens não comercializáveis, 9,44%. Os preços do grupo alimentos e bebidas, ainda sensibilizados por fatores climáticos, variaram 0,96% em abril e 14,00% em doze meses (6,23% até abril de 2012).

Câmbio

O Banco Central informou que elevou de R$ 2,00 para R$ 2,05 a taxa com a qual trabalha para o câmbio e de 7,25% ao ano para 7,50% ao ano a da Selic. Essas hipóteses, de acordo com a ata do Copom, serão consideradas "em todo o horizonte relevante".

Nesse cenário de referência, conforme o documento, a projeção para a inflação de 2013 subiu em relação ao valor considerado na reunião do Copom de abril e se posiciona acima do valor central de 4,5% para a meta fixada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). O BC não informa, porém, qual é o porcentual exato.

No cenário de mercado, que leva em conta as trajetórias de câmbio e de juros coletadas pelo Banco Central com analistas de mercado às vésperas da reunião do Copom, a projeção de inflação para 2013 também aumentou e, da mesma forma, encontra-se acima do valor central da meta para a inflação.

Já para 2014, a projeção de inflação da autoridade monetária "pouco se alterou" em relação ao valor considerado na reunião do Copom de abril. De qualquer forma, essa estimativa segue acima do valor central da meta, tanto no cenário de referência quanto no de mercado.

Salários

Na ata, o BC afirma que a estreita margem de ociosidade no mercado de trabalho gera um risco significativo, com a possibilidade de concessão de aumentos de salários incompatíveis com o crescimento da produtividade e suas repercussões negativas sobre a inflação."Não obstante sinais de moderação, o Comitê avalia que a dinâmica salarial permanece originando pressões inflacionárias de custos", diz a ata.

O Copom considera que o nível elevado de inflação e a dispersão de aumentos de preços contribuem para que a inflação mostre resistência. "Nesse contexto, inserem-se também os mecanismos formais e informais de indexação e a piora na percepção dos agentes econômicos sobre a própria dinâmica da inflação", cita.

Tendo em vista os danos que a persistência desse processo causaria à tomada de decisões sobre consumo e investimentos, faz-se necessário que, com a devida tempestividade, o mesmo seja revertido. Por isso, o Comitê entende ser apropriada a intensificação do ritmo de ajuste das condições monetárias ora em curso.

Política fiscal

O BC manteve o trecho que trata da política fiscal em relação ao documento divulgado após a reunião de abril. Conforme a ata, o banco considera como hipótese de trabalho a geração de superávit primário de R$ 155,9 bilhões em 2013, de acordo com os parâmetros da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) - 2013.

Para 2014, a autoridade monetária admite como hipótese o total de R$ 167,4 bilhões de superávit primário, segundo os parâmetros constantes do Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO) - 2014.

Na reunião na semana passada, dando prosseguimento ao ajuste da taxa básica de juros, o Copom decidiu, por unanimidade, elevar a taxa Selic para 8,00% ao ano, sem viés. O Comitê avalia que essa decisão contribuirá para colocar a inflação em declínio e assegurar que essa tendência persista no próximo ano.

Notícias relacionadas

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.