Juro alto não é vilão do câmbio, diz ex-presidente do Banco Central

 Affonso Pastore afirmou hoje, no XXIII Fórum Nacional, que os altos juros não são a única razão para a desvalorização do dólar frente ao real

Daniela Amorim, da Agência Estado,

18 de maio de 2011 | 12h20

RIO - Os juros altos não são a única razão para a desvalorização do dólar frente ao real. A queda na percepção de riscos macroeconômicos provocaram um aumento na demanda por ativos brasileiros, segundo o professor da USP e ex-presidente do Banco Central, Affonso Pastore. Ele participou hoje do XXIII Fórum Nacional, que acontece na sede do Banco Nacional de Desenvolvimento econômico e Social (BNDES), no Rio de Janeiro.

"A valorização cambial é um sintoma de saúde da economia brasileira, não é um sintoma de doença", afirmou Pastore. "Os US$ 50 bilhões que entraram no País no último ano é dinheiro de investimento mesmo. Não são somente capitais de curto prazo buscando a diferença da taxa de juros. Há um fluxo enorme de capitais de longo prazo, que são estimulados pelos baixos riscos e pelas perspectivas de crescimento".

Pastore ressaltou que houve valorização do real, mas houve uma desvalorização generalizada do dólar frente a outras moedas, por causa da política monetária do Federal Reserve, o Banco Central americano. Segundo ele, a prova disso foi a valorização do dólar australiano frente ao dólar americano, embora a taxa de juros da Austrália esteja próxima à praticada nos Estados Unidos.

"Austrália e Brasil têm em comum serem grandes exportadores de commodities. Quando as commodities se valorizam no mercado internacional, puxam a valorização cambial", explicou Pastore.

 Reforma tributária

O governo precisa investir na reforma tributária para estimular as exportações, segundo Pastore. De acordo com ele, essa é a saída para impulsionar o crescimento do País, na ausência de uma política para aumentar a poupança. "Eu não vejo a política fiscal do governo voltada para aumentar poupança. Não está no cardápio. O que tem que fazer é no lado tributário, para tentar aumentar as exportações", afirmou.

O ex-presidente do BC defende que o ICMS passe a ser coletado pelo princípio do destino e não na origem, além de ter uniformidade de alíquotas. Outra exigência seria promover desonerações tributárias, como os encargos na folha de trabalho, além de diminuir os impostos de setores como energia elétrica e controle de capital, para gerar crescimento e competitividade. "Dessa forma, o Brasil pode ganhar muito nas exportações", avaliou.

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