JF DIORIO/ESTADÃO
JF DIORIO/ESTADÃO

‘Juro baixo fará investidor ir ao exterior’

Responsável por área internacional, diretor do Bradesco diz que banco antecipa diversificação geográfica por retorno

Entrevista com

Renato Ejnisman, diretor gerente do Bradesco

Aline Bronzati, Fernando Nakagawa e Teresa Navarro, O Estado de S.Paulo

26 de junho de 2019 | 04h00

Além de US$ 2 bilhões em ativos e 10 mil clientes endinheirados, o BAC Florida Bank tem uma missão maior dentro do Bradesco: consolidar o braço internacional do banco. Feita no mês passado por R$ 2 bilhões, a aquisição visa, por um lado, atender aos brasileiros que procuram investimentos fora do País. Do outro, ser um ímã para estrangeiros que desejam investir no mercado latino-americano.

“O Brasil já chegou a representar entre 15% e 16% dos investimentos de fundos em mercados emergentes”, diz Renato Ejnisman, diretor gerente do Bradesco, ao Estadão/Broadcast. “Hoje, esse número está por volta de 9%, 10%, sendo que já foi 6%: há um espaço grande para crescer.” O Bradesco, conforme Ejnisman, segue aberto a oportunidades, mas não “sairá comprando bancos de varejo fora do Brasil”. Leia a entrevista, a seguir:

Qual a expectativa para a aprovação da compra do BAC?

Deve demorar entre seis e nove meses, o prazo típico. Conhecemos muito bem o banco durante o processo de aquisição e estamos super animados. É um potencial enorme para o Bradesco.

Por quê?

Do lado do private (clientes com grandes patrimônios), temos potencial enorme de melhorar a entrega. Dobramos o número de pessoas em Luxemburgo e, agora, com o BAC em Miami. Na área dos clientes corporativos, o Bradesco ganha uma base nova, inclusive, na América Central. O banco terá mais produtos e um custo mais competitivo para operações nos Estados Unidos.

Quantos CPFs de estrangeiros virão com o BAC?

São cerca de dez mil no total. Parte da nossa estratégia é manter e crescer a atividade do BAC. Hoje, é um banco que serve pessoas de alta renda de diversos países como México, Argentina, Estados Unidos e algumas pessoas da América Central. Não queremos parar.

Em um cenário de queda dos juros, o BAC faz diferença?

É o principal ganho. Em um cenário de juros baixos e de reforma da Previdência, o investidor, que já busca multimercados, ações, crédito privado e títulos, vai demandar diversificação geográfica e até de moeda. Estamos, no fundo, nos preparando para essa onda. Por tabela, também poderemos oferecer para investidores estrangeiros oportunidades no Brasil e na América Latina.

O investidor brasileiro no exterior é diversificação ou fuga?

Se imaginarmos um Brasil que dá certo, teremos mais investidor diversificando do que saindo por falta de opção. Mas é fato: tem gente que saiu do Brasil. A opção de diversificação é a que olhamos mais firme.

O investidor global vem só a partir de 2020?

Só no ano que vem. Estamos vendo uma agenda de passado, Previdência e questões tributárias. Quando passarmos a ver agenda de futuro, que é produtividade, redução de entraves e o Brasil inserido na agenda mundial, teremos crescimento maior e o investidor global.

As plataformas de investimento e os agentes autônomos já incomodam no público de alta renda e no private?

Podemos olhar como ameaça ou oportunidade. O mercado hoje apresenta muito mais oportunidades. Por exemplo, começamos a oferecer fundos da nossa gestora, a Bram, também através das plataformas.

Há uma crítica de que o Bradesco não aproveitou o potencial da Ágora, que seria a XP de antigamente. O banco está recuperando o tempo perdido?

Já transformamos nossas corretoras, inclusive a Ágora, em um lugar no qual os clientes podem comprar e vender ações, mas falar também de renda fixa, fundos e toda a gama de produtos de investimento. Temos vantagem porque possuímos muito mais pontos de contato com o cliente e capacidade de entender suas necessidades. Se formos inteligentes para transformar essa informação em benefício ao cliente, teremos muito a oferecer.

O Bradesco comprou o HSBC para reforçar o segmento de alta renda e private. O BAC foi nessa direção. O que falta?

Conseguimos prover uma experiência para o alta renda e o private muito melhor do que tínhamos. Agora, temos trabalho constante de melhoria, entender o cliente e ter capacidade de interagir com ele.

Não adianta só ter o cliente e ele comprar produtos das plataformas de investimento?

Por exemplo, mas não são somente as plataformas. A concorrência está mudando e vai mudar mais. Hoje, em determinado momento vamos concorrer com fintech, bigtech e em outros com uma empresa de patinete com carteira digital.

Falta reforço no exterior?

O banco está aberto a oportunidades que façam sentido, mas não vamos sair comprando bancos de varejo fora do Brasil. Podemos ter alguma necessidade específica em algum segmento.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.