Juro médio para pessoa física chega a 45%, o maior desde junho de 2009

Taxa de juros no crédito livre cresceu 0,9 ponto porcentual em março ante fevereiro, atingindo 39% ao ano

Fabio Graner e Edna Simão, da Agência Estado,

27 de abril de 2011 | 11h49

A taxa de juros no crédito livre cresceu 0,9 ponto porcentual em março, ante fevereiro, atingindo 39% ao ano, segundo dados divulgados há pouco pelo Banco Central. No primeiro trimestre, o custo do crédito subiu 4 pontos porcentuais, em relação a dezembro. O juro médio cobrado nas operações com pessoa física subiu 1,2 ponto porcentual, para 45%. Este é o maior nível desde junho de 2009, quando a taxa média foi de 45,6%.

No trimestre, a alta é de 4,4 pontos porcentuais neste segmento. Nas operações voltadas para pessoa jurídica, a taxa de juro média subiu 0,7 ponto porcentual em março, ante fevereiro, para 31,3% ao ano. No trimestre, a elevação é de 3,4 pontos porcentuais.

O spread médio no crédito livre subiu 0,7 ponto porcentual em março, ante fevereiro, para 26,8 pp ao ano. O spread médio para pessoa física aumentou 1,2 ponto porcentual, para 32,4 pontos porcentuais ao ano, enquanto para pessoa jurídica houve alta de 0,4 ponto porcentual, para 19,6pp.

No primeiro trimestre, o spread médio do crédito livre subiu 3,3 pontos porcentuais, com o segmento pessoa física registrando alta de 3,9 pontos porcentuais e a pessoa jurídica, 2,6 pontos porcentuais.

Fatores

O chefe do Departamento Econômico (Depec) do Banco Central (BC), Túlio Maciel, disse que o aumento da taxa de juros dos empréstimos decorreu da elevação do spread bancário, da ampliação dos atrasos de pagamento para prazos até 90 dias e da alta do custo por conta das medidas macroprudenciais adotadas pelo governo.

Segundo dados divulgados pelo BC, o spread bancário teve um aumento de 0,7 ponto porcentual de fevereiro para março, atingindo 26,8 pontos porcentuais. Para a pessoa física, esse aumento foi mais expressivo. O spread bancário subiu 1,2 ponto porcentual, para 32,4 pontos percentuais em março. Já a taxa média de juros subiu 0,9 ponto porcentual de fevereiro para março, atingindo 39% ao ano. A inadimplência média ficou estável em 4,7% em março. Porém, os atrasos de pagamento de operações de até 90 dias subiu de 5,9% em fevereiro para 6,5% em março.

Para Túlio Maciel, esse cenário pode contribuir para um aumento "na margem da inadimplência", o que impacta no spread bancário e consequentemente nos juros. "Isso não preocupa porque há um ambiente de crescimento do emprego e da renda", afirmou o chefe de Depec.

(Texto atualizado às 14h00)

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